7 de jul de 2009

“os sortudos”

Incrível o fato de o mundo haver parado devido à morte do Michael Jackson. Todo e qualquer website tem alguma menção ao nome dele e à fatalidade que lhe ocorreu. Parece até mesmo inevitável citar os ocorridos finais de sua trajetória. Eu não citaria isso,mas acabou tomando proporções maiores que eu esperava. A cada dia me admiro mais da maneira como deturparam os valores fúnebres.
O que eu poderia dizer sobre Michael é o seguinte: prefiro, sinceramente, acreditar em teorias mais conspiracionistas... ele não morreu. Motivos não me faltam para acreditar piamente nisso. Claro que atualmente todo mundo virou fã de uma pessoa que até um ano atrás estava tendo todos os dedos do mundo apontados para sua face, julgando-o pedófilo. Mas não é o meu caso, vejo ele como um dos heróis da minha infância,uma das figuras que muito admirei durante a minha vida.
Muito suspirei assistindo Moonwalker no Cinema em Casa, muito cantarolei “aniuátchu-uatchu”, dançando (como uma minhoca contorcendo-se numa chapa quente) que, na realidade era o refrão de Smooth Criminal e que não tem nada a ver com o que eu cantarolava... nem a dança era correspondente. Joguei Moonwalker também! Tive copinho da Pepsi com foto dele (e ai de quem usasse meu copo!!!) e chorei na noite em que ele fez show perto da minha casa e eu não pude ir por ser piázita demais... ainda assim minha mãe gravou o show, que passou na tv e eu assistia direto encantada com aquele homem que parecia flutuar. Eu queria ser a menininha do Moonwalker, essa é a verdade! Haha...
Quando eu soube da morte dele posso dizer que eu fiquei bem chateada, me estragou o dia. Sou da ala dos que acreditam na inocência do cara quanto aos casos de pedofilia e dos que acreditam que ele tinha vitiligo mesmo. Não por idolatria, mas por acreditar que o cara já tinha sofrido demais no passado pra retribuir na sua idade adulta descontando em crianças que não tinham nada a ver, e também por achar meio improvável a possibilidade de uma pessoa “branquear” como uma roupa que é colocada num balde de clorofina.
Mas, vamos ao que interessa, o que realmente vem me incomodando nos últimos tempos (além de todo o estardalhaço exagerado e repetitivo da mídia) é a questão do tal funeral. Já vamos para duas semanas que o cara morreu, passou por nada mais do que DUAS autópsias, sabe lá onde socaram o corpo do homem e ainda tem toda a função de enterro que parece não desenrolar nunca! Vamos começar imaginando o estado do corpitcho, que em vida já estava em estado altamente “complexo”, nem queiramos imaginar como está por esses dias...
Fora o desrespeito com o corpo do falecido, é um cúmulo o tamanho do megaevento que está sendo montado para uma “despedida”. Peraê! Uma despedida para quem morreu não deveria ser um velório e um enterro? Pelo jeito não... Sorteio de ingressos, vários artistas mundialmente famosos, fila de espera, histeria por ingressos conquistados, cambistas, etc, etc, etc. Gente que tem um ingresso para o tal evento é chamado de “sortudo” e comemora como se tivesse ganho no Toto Bola. Tá, é um show do Michael, não é? O último da carreira? Não, não... é o funeral dele. As pessoas comemoram que ganharam um INGRESSO pra um funeral. Nada de anormal. Mas a mídia lembra: não esqueçam-se que este evento não é uma celebração, é um funeral! Uhummm!!! É, a gente tá vendo mesmo.
Os caras perderam completamente a noção, o senso do ridículo. Esse é o funeral mais Joselito que eu já vi na minha vida toda. Eu achei que depois do funeral do último papa, que nos últimos dias tinha as narinas roxas de tanto esperar seu próprio enterro, eu não veria nada mais esdrúxulo. É, vivendo e aprendendo. Vivi pra ver mais bizarria de celebridades mundiais. Blérga.
Pobre Michael! Sorte a dele não ter vivido pra ver isso. Melhor dizendo: Sorte a dele ter armado essa história toda pra dar risada do mundo todo re-enriquecendo os bolsinhos dele e fazendo todo esse escarcéu, devolvendo a fama por ele perdida e redesenhando ele um herói.
Não quero ver outras mortes famosas. Ah não quero mesmo! É muito nojento. Em todos os sentidos.