21 de dez de 2011

Ka is a (hotwheels) wheel.

     Em meados de 2003 eu li um livro por duas vezes seguidas. 

     Foi um período difícil em que eu estava numa onda violenta de emagrecimento, com uma rotina caótica e tomando remédios para emagrecer. A insônia que eu já tinha havia ido aos extremos, fazendo com que eu dormisse às 5 da manhã e acordasse logo mais às 6h45 porque tinha que sair pra dar aulas voluntárias... final do magistério, precisava de experiência pra encarar o mundo cão. 
     Naquele tempo eu era sócia de uma biblioteca que hoje em dia não existe mais, ficava no 2º piso de uma farmácia muito conhecida aqui na cidade. O preço anual era bom para uma estudante que não tinha salário nem mesada. Vivia lá dentro. Dois livros semanais para mim, um infantil pro meu irmão mais novo, retirados religiosamente nas quintas.
     No período em que percebi que a minha insônia tomava uns ares meio psicóticos, decidi parar de jogar paciência iluminada por uma lanterna na madrugada e ler algo, já que era pra ter atividade cerebral, que fosse com algo útil. Eu não costumava ler antes de dormir porque quando eu lia, me agitava ainda mais e dormia menos ainda... mas o ponto a que eu havia chegado, não tinha o que pudesse ser pior.
     Naquela semana optei por Insônia, um livro todo detonado, imeeeeenso, do autor que eu já era fascinada. Foi a companhia perfeita pro momento que eu passava. 

     Engraçado que eu sempre tive o hábito de manter diários. Sempre, até hoje... e na época eu gostei tanto de insônia que eu decidi reler. Nas duas leituras, tomei notas alucinadas de trechos que eu havia gostado do livro. Minhas citações favoritas, por assim dizer. Engraçado que o que eu mais me lembro era a fascinação que eu tinha criado pelas três deidades, citadas no livro, que comandavam a vida - uma tecia, a outra media e a última cortava. Início, duração e fim da vida de qualquer ser humano que já passou, passava ou passaria pela terra.
     Das citações mais fodas do livro, anotei num caderno preto que eu tinha a seguinte citação:

" Simplesmente o que vocês chamam liberdade de escolha faz parte do que chamamos ka, a grande roda da existência." (Stephen King)

      Na época eu não entendia o tal KA. Nem sabia bem o que era... circulei, coloquei pontos de interrogação pra ver se anos depois eu achava uma definição que se aplicasse à tal grande roda da existência que não fazia sentido nenhum pra mim. Mas eu achava a citação fodástica. 
     Pois bem, como é conhecido, este ano tatuei o KA no meu antebraço. Lindo, cíclico, girando, comandando tudo... e foi a partir daí que o tal KA "kaotizou" a minha vida me dando twists insanos. O mais engraçado de tuuuudo que me aconteceu, são os seguintes fatos:
     ... durante as limpezas da casa achei este caderno, e no meio da seleção do que eu guardaria e do que eu colocaria no lixo, me aparece a citação acima exposta com os benditos pontos de interrogação... eu nunca teria imaginado o quanto o KA teria me ensinado de 2003 pra cá e, principalmente, o quanto ele passaria a fazer sentido e me nortear nas horas de insanidade absoluta. Ri de mim mesma pela minha ignorância juvenil e fiquei feliz por ver que o KA era menos recente e transitório do que me parecia.
     ... fato mais bizarro que o anterior foi o que me aconteceu hoje, menos de 30 minutos atrás: ontem numa limpeza da biblioteca da escola, a bibliotecária separou alguns títulos para doação, dentre eles - adivinhem a ironia do KA - Insônia, de Stephen King. Me senti como Roland ao receber o livro em mãos. Mas isso não é a ironia da coisa que eu chamo de pai do destino. A ironia mesmo aconteceu HOJE, AGORA. Quando, ao cadastrar livros novos na minha estante do Skoob, fui ver os dados do livro e achei um carimbo de biblioteca: o livro foi doado à biblioteca da escola por uma outra biblioteca. A biblioteca do segundo piso da farmácia.

     A biblioteca do segundo piso da farmácia. A biblioteca que eu era sócia. O livro que eu li duas vezes em 2003. O 2003 que tinha um caderno preto com uma citação sobre KA que me fazia um sentido apenas parcial. O sentido que eu encontrei depois de velha e tatuei. E depois de tatuada achei o caderno e relembrei 2003... ... ... KA is such a fucking little wheel...

29 de out de 2011

Esse mundo está mesmo muito mudado

Antigamente, era assim que se dava em cima do presidente:



Agora é assim:



E o Dilmão, quem vai ter estômago pra encarar?

2 de out de 2011

de quando eu, de fato, descobri o amor

... para ser lido ao som de Someone Like You (não precisa ler se não quiser, é só uma utilizada de blog como divã)



Esses dias tive um surto psicótico. Daqueles de quase morrer... de chorar de soluçar como uma guria histérica que teve a primeira desilusão amorosa. E foi, tarde mas foi.
Estava em casa, na minha rotina de sempre quando, ouvindo um cdzinho, me apareceu Someone Like You com um solo que chama o ouvido a prestar atenção. Sentei pra sentir melhor a melodia e ver o que a gordinha tinha pra dizer. Foi o que bastou pra me destruir. Eu andava nostálgica desde o dia anterior... achava que pudessem ser efeitos de uma TPM fora de hora, ou saudade do meu Morfeu que está passando uns dias no SPA da vovó, ou stress, ou fome, ou qualquer coisa. Mas Adele conseguiu desencadear uma reação que me abriu o peito. E eu duelei comigo mesma pra botar pra fora o que me perturbava.
Assumi, entre muitas negativas e contra minha própria vontade, o que me incomodava e passou a incomodar ainda mais: assumi uma perda que eu nunca pensei que tivesse sido tão grande na minha vida, assumi um amor perdido que eu nunca assumi nem pra mim.
Nessas minhas histórias de ser fria, ser durona, de o amor não existir, vi o amor passar debaixo do meu nariz e desprezei, ignorei completamente. E nesse dia dilemático que doeu até que eu cansasse e fosse dormir, eu assumi ele, revivi tudo mentalmente e sofri o que estava engasgado desde que eu perdi a perda que eu não sabia que havia acontecido pra mim.
Não foi uma história de amor digna de filmes, mas eu a descobri minha, e me orgulho de ter tido forças pra assumir, mesmo que tarde tudo o que eu senti. Melhor que isso: exorcizei, limpei o coração e percebi erros de trajeto que nunca tinham me ocorrido antes.
Posso dizer que não é o tipo de história com final heroico, nem de happy ending. Mas eu consegui expor o que me aconteceu durante todo o período que me estremeci de paixão em uma carta quilométrica que enviei logo que coloquei o ponto final. Pedi que não me fosse enviada resposta. Não quero repensar essa história, ela terminou no momento que eu consegui tirar aqui de dentro meu hóspede.
Vou transcrever alguns trechos da carta, vale a pena ser lida novamente (por mim mesma). Se leu até aqui, não espere nomes. Quem conhece a história, conhece. Quem não conhece, não precisa saber de quem se trata.



"(...)Vou evitar as formalidades clássicas... nunca fui formal e nem vou ser agora. Sabes como sou, não preciso de apresentações.
Hoje, por um acaso do destino, baixei uma música que te tirou de onde eu te mantinha trancado dentro de mim. Se quiser parar de ler, agora é a hora. Antes de eu soltar tudo que eu nunca soltei de fato... aquilo que eu mantive velado até agora que tomei coragem pra abrir meu peito.

A música diz o seguinte:
'I heard that you're settled down

That you found a girl and you're married now
I heard that your dreams came true

Guess she gave you things, I didn't give to you


Old friend
Why are you so shy?

It ain't like you to hold back
Or hide from the light



I hate to turn up out of the blue uninvited
But I couldn't stay away, I couldn't fight it

I hoped you'd see my face and that you'd be reminded
That for me, it isn't over



Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you, too

Don't forget me, I beg, I remember you said
Sometimes it lasts in love

But sometimes it hurts instead
Sometimes it lasts in love

But sometimes it hurts instead


You'd know how the time flies
Only yesterday was the time of our lives

We were born and raised in a summer haze
Bound by the surprise of our glory days



I hate to turn up out of the blue uninvited
But I couldn't stay away, I couldn't fight it

I hoped you'd see my face and that you'd be reminded
That for me, it isn't over yet



Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you, too

Don't forget me, I beg, I remember you said
Sometimes it lasts in love

But sometimes it hurts instead


Nothing compares, no worries or cares
Regrets and mistakes they're memories made

Who would have known how bitter-sweet this would taste


Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you, too

Don't forget me, I beg, I remembered you said
Sometimes it lasts in love

But sometimes it hurts instead
Sometimes it lasts in love

But sometimes it hurts instead'



Eu imagino que a essas horas já estejas com tudo mais do que entendido, mas eu preciso falar... e como falar não dá de ser olho no olho, eu decidi escrever.
A verdade que eu nunca assumi foi o quanto tu mexeu comigo desde o começo... de uma forma que nunca ninguém mexeu e, apesar do senso comum que isso soa, eu realmente te amei e nunca consegui te tirar da minha cabeça. Nem depois de tanto tempo.

Não pensa que isso foi depois de esse ou aquele ocorrido. Não. Não tem nada disso. Foi antes disso que tu já tinhas te entranhado na minha cabeça, foi no começo,(...)... as tuas trollagens, tuas risadas. O conjunto da obra me ganhou. Eu, que sempre tinha sido tão fria e durona me vi amolecendo pouco a pouco por uma criatura (...) que eu nem sei daonde surgiu, contando uma piada idiota de “bom diaê” e que marcou. O DVD de asneiras com o Bátema e uma foto do primeiro churras no menu principal, as piadas idiotas em horas indevidas(...)bolão de lovely... bah, e as cantorias? Nunca mais ouvi My Immortal e Refrão de Bolero.
Foi só besteira juvenil... mas mesmo hoje não esqueço da tua voz, da tua risada mais histérica, e nem do teu cheiro que eu pouco tive a oportunidade de sentir. Teu lábio marcado... ahahaha. Nem sei o que comi ontem, mas lembro cada detalhe teu.

Acontece que o destino mandou e foi como tinha que ser desde o início. Não estou te pedindo nada, nem quero que me respondas, só quero me abrir e ver se me livro desse peso que eu carrego desde que cruzei contigo a primeira vez na FURG. Tu, as tuas bermudas de mil bolsos e o teu caminhar mancado por causa do long(...).
Toda aquela pose de machona que eu levava, tudo mentira... quer dizer... mentira a partir do momento que eu percebi o quanto me movias. Eu tinha medo de te assustar, de fazer com que te afastasses de mim se eu um dia tentasse falar algo. E eu até cheguei perto de te falar aquela vez no lago (...) lembra? Mas nunca consegui. Não era por falta de coragem... era por achar que eu precisava te ter próximo, nem que fosse só como amigo.

E aí veio o tempo em que (...) a distância pegou pra mim. Perdi a conta das noites que passei em claro escrevendo escrevendo escrevendo sem fim e aos prantos pensando uma maneira de conseguir tocar adiante as coisas. Não que eu fosse morrer, mas ficou mais difícil. Mas apesar disso, tu te mostraste leal a mim, não sumindo. E não sabes o bem que tu me fazias quando ias no departamento pra jogar conversa fora... e eu, sempre desajeitada, acabava correndo contigo (...). Eram uns poucos minutos, mas tu iluminavas meu dia com aquilo. E as idas ao Rosa nas sextas... era tudo o que mantinha meu pé no chão.
Foi quando veio teu namoro, e eu nunca vou esquecer o dia que (...) te vi com ela, no fim de um beijo. Naquela noite eu bebi tanto, tanto, mas tanto... que era anormal pro meu padrão de bebedeira. Escrevi tanto, risquei, rimei, rasguei. Queria esquecer, queria afogar o que eu tinha visto, queria sumir, louca e bêbada pela rua. Só piorou. E foi aí que a minha coragem de tentar te dizer qualquer coisa se esvaiu de vez. Esgotou, acabou completamente. Zero XP.

A partir daí eu me enlouqueci... bebendo, saindo, dando em cima de geral porque eu tinha que me vingar, eu tinha que fazer doer em ti como doeu em mim. Mas eu sabia que o poço era seco, que não ia sair dor de lado nenhum. Estavas feliz e eu não podia estragar isso com acessos infantis de perdedora. Meu jeito foi o afastamento. Foi quando eu achei [alguém] e achei que gostava dele e achei que era feliz ao lado dele. Foi a pior coisa que eu podia ter inventado. Mas eu toquei em frente, esperando te substituir. O que eu não sabia era que eu não ia conseguir.
E o relacionamento andou,(...) e eu me separei (...) do canalha. E eu sofri mais ainda, e eu chorei mais ainda... e bebi mais ainda, não dormia, não comia e já quase não tinha mais vida. E não foi por ele toda essa apoteose de fiasco, foi por me deparar mais uma vez com a verdade de não poder te ter, e por me sentir (como agora) impotente perante a situação. Me feri, me incomodei na busca de um escape. E não deu.

Em 2009 eu tive uma apresentação na qual eu falei sobre “Friendship”... e eu fiz um vídeo com o nosso grupo clássico de caos (...). O grand finale foi a última vez que cantei My Immortal. Um colega tomou tua posição ao violão e eu cantei. Foi a pior vez que cantei. A voz não saía e eu só queria chorar. A tua ausência foi a minha fraqueza e insegurança... não só a tua ausência ali do meu lado, mas fora da minha vida.
Os anos se passaram, o nosso contato apesar de menos freqüente nunca foi cortado e veio a tua formatura. Tu, lindo, togado e discursando... me enchi de orgulho como se fosse algo meu. E chorei escondida no meio do público por saber que era ali que acabava de vez todo e qualquer contato. Estavas indo (...). Era game over pra mim, mais do que já havia sido desde 2006.

E mais tempo se passou... não teve ano que eu não lembrasse do teu aniversário, mesmo não falando nada. Não teve noite que eu não tenha deitado a cabeça no travesseiro sem direcionar ao menos um pensamento, uma energia pra ti. Não teve poema que eu tenha escrito que não tenha um pedaço teu. E, apesar de toda essa dor que eu carrego escondida, muito me conforta saber que tens tido uma vida feliz (...).
Não vou te alugar mais com tantas lágrimas que já proferi por aqui. A carta toda está permeada de “chorei” , “bebi” e “sofri”. Não quero que penses que o que senti por ti só me trouxe dor. Pelo contrário... era o que me estimulava a cada dia que eu pensava na possibilidade de te ver, ouvir tua voz, ver teu sorriso escancarado, nem que fosse só de passada e ouvir o que tinhas pra dizer, mesmo quando eu ficava nervosa que nem guria nova e virava café por cima de mim mesma na tua frente.

Gosto de relembrar tudo o que passei do teu lado, mesmo sabendo que eu vivi um platonismo que eu mesma criei. E gosto de saber que eu não sou tão fria para sentimentos como eu sempre pensei que fosse. Fico feliz em ter tomado forças pra admitir pra mim mesma e, conseqüentemente, pra ti o que sinto. Acho que agora eu te exorcizo de vez.
Estou descobrindo que ter te mantido trancado num quartinho num canto do meu cérebro não foi solução, tu sempre deu um jeito de escapar de lá e me assombrar, me lembrando que fracassei... o segredo era ter te desprendido de mim desde o início. Parece assunto de esquizofrênico, mas só eu sei como foi conviver com as lembranças de ti. Mas esquece... esquece isso tudo que falei aqui, esquece... eu só precisava mesmo desabafar, me abrir... pra dizer que eu nunca te esqueci, que tu nunca saiu da minha cabeça... nem do coração. Por mais difícil que tenha sido pra mim, agora eu vejo que abrir o jogo é menos trabalhoso do que lidar comigo mesma nas noites em que sonho contigo e acordo feliz como uma boba alegre. E não te preocupa, eu não vou “babar muito pelo Sawyer” (lembra dessa dedicatória no DVD?)... eu já babei demais foi por ti. E acho que estou cansada de tanto carregar esse incômodo em mim... não que tu sejas um incômodo, nunca foste. Mas as lembranças e a frustração se tornaram incômodos constantes. Há muito tempo.

Já me estendi demais e nem sei se chegaste até aqui, mas fica tranqüilo. Eu vou bem por fora. Me formei, Saí de casa, fiz meu piercing, me tatuei... estou levando a vida que sempre quis. Sou professora de inglês, ganho bem, crio gatos, sou administradora do stephenking.com.br e até na Polônia eu já andei dando entrevista sobre Stephen King. Estou vivendo das minhas paixões. Só faltou uma... e dessa eu estou tratando de esquecer.
Te agradeço, (...)... por seres quem és, por teres sido quem foste comigo em todas as ocasiões, porque mesmo quando foste mais troll nos deboches, ainda assim foste de uma gentileza bárbara comigo.

Quem sabe um dia a gente se reencontra. Um beijo, dessa vez, o último. Te amo.



Debora."

18 de mai de 2011

A casa de bonecas

Quando eu era criança, minha graça era montar tooooda a casa de bonecas nos mínimos detalhes... a Barbie sentadinha na salinha esperando o Ken voltar do trabalho.

... quando o Ken chegava, passava o tufão: a minha graça era fazer o Ken destruir toda a organização da casa ao maior estilo troll, com chutes e bundadas na mobília, para sofrimento da pobre Barbie.

Mas... agora com o microhome, organizo tudo minuciosamente e faço toda a força do mundo pra não bagunçar tudo jogando roupas no chão, toalha molhada na cama e louça suja na pia.

É... as coisas mudam, véi!

17 de abr de 2011

Afinal, qual o objetivo disso? - pro casal patético não me incomodar mais.

     Eu tenho um ex que tem uma ex que sempre torna a ser a atual dele e, consequentemente, ela sempre volta a ser ex dele. A guria é louca por ele... mas tem uma coisa: ela não esquece de mim.
     Esses dias me toca o telefone e vem a insana da guria jurando de morte que estava me ligando de boa (depois de dar meu msn em sala de sexchat, fazer comunidades contra mim e me difamar por todos os meios virtuais possíveis e imagináveis). Aceitei a ligação dela pra dar corda afinal eu adoro enforcamentos.
     Pois e não é que a história deu um nó tão grande que o bombardeio foi constante. Fui me fazendo de tosca até a coisa tomar proporções insustentáveis e virei a mesa dos dois. Só que agora o problema é o seguinte: ele não some do meu Orkut e o único assunto que ela aborda é o meu nome. Isso sem contar nas sms constantes por parte dos dois. 
     O que eu não consigo entender é: por que mexeram com quem estava quieta? (euzinha) e por que eles não aguentam o problema que é deles sozinhos?
     Talvez isso ocorra porque ele não tem caráter e apronta o que quer com quem se relaciona, se esconde numa cara de "ai coitadinho de mim" e mente tanto que nem ele mesmo sabe se ele é uma mentira. É o tipo do cara que a gente não acredita nem se o nome dele é o nome que ele diz ter... vai que a identidade é falsificada? 
     Já a guria é do tipo submissa, ele manda ela obedece, independente do que ele peça. Ela sofre e sofre abertamente, assume pra quem queira saber o quanto é louca pelo pinocchio e faz o tipo machona: se ele não resolve o problema da piriguete na volta, ela vai e fecha o pau com a piriguete. 

     Não me importo nem com a miséria de caráter dele, nem com a miséria de auto estima dela. Talvez por isso eu tenha me aproveitado da situação que já estava caótica pra dar nos dedos dos dois. Incentivei o falatório e só esperei o envio dos logs de um pro outro. Fora as sms que repassei de um pro outro pra colocar lenha na fogueira. Não mandei me tirarem do meu canto e me meterem no barraco que era deles. Agora, é esperar 48hs e os orkuts deles estarão como "namorando", depois de todas as merdas que um falou do outro. E por que eu tinha que ser metida no problema?

     Espero que tenha servido de lição pros dois mimosos a minha colaboração na ruína deles.


31 de mar de 2011

Oiiii

     Bah, blog querido... eu bem sei da minha ausência exagerada. Mas a vida tem andado numa correria só.

     Essa vida de professora tem sido bem ocupada e cansativa, mas as compensações de todo o loqueiro são enormes.

     Agora mesmo estou na biblioteca da escola, escondidinha no escuro, aproveitando o horário de almoço e o notebook que sequestrei de uma colega pra vir aqui aloprar o blog. Não tenho muito pra falar e, na realidade, estou mais é dando voltas e voltas no meu próprio pensamento.

     Preciso postar muitas coisas que andei pensando e escrevi a lápis em um bloquinho. Assim que eu tiver uma brecha eu venho aqui expressar isso.

     No mais, queria dizer que muitos dos meus planos pra 2011 estão se concretizando antes do que eu previa - bem antes pra dizer a verdade- e de forma graciosa.

     Espero que todos os que me acompanham e me perdoam por ser tão relapsa estejam tão bem, felizes e de alma tão leve quanto eu tenho estado.


     Antes de dar tchau, uma breve história de alunos pra alegrar a tarde do povo aí do outro lado da tela:

     Primeira semana de aulas foi um frisson o fato de eu ter um piercing na língua... as crianças alopraram com mil perguntas do tipo: doeu? como tu comes? nunca engoliste nenhum piercing? tem que tirar pra falar?

     Mas como toda a alopração um dia acaba, a febre passou. Numa linda tarde, troquei o piercing para ir trabalhar e me vem o diálogo fenomenal:

- Tia, piercing rosa?
- Sim, Fulaninha.
- Furou de novo?
- Não, né Fulaninha?
- Ah tá.

     Vem a coleguinha que estava atrás na fila e explica, toda prosa, porque o piercing era diferente:

- Ai, Fulaninha! Não vê que a tia pintou o piercing prata??? ... ô tia, não tem perigo da tinta sair e te matar de "envenenar"?

     Nessa hora, a cara de pastel da "tia" impera.


12 de fev de 2011

Eu nunca esqueci daquela fita

Eu nunca esqueci daquela fita.
Era uma fita amarela, muito velha e já manchada pelo tempo. Ela tinha uma música que eu gostava muito e para mim havia sido um grande achado, aos 15 anos, encontrar aquela fita com justamente aquela música no meio de tantas fitas velhas que herdei de meus pais.
Eu ouvia aquela música incansável e repetidamente por horas a fio. Terminada a música, rebobina, ouve de novo. A prática era tanta que eu sabia o tempo exato de apertar o RR e o Play novamente. Ouvia que me acabava e cantarolava baixinho acompanhando a música que eu não sabia pronunciar inteira por ser cantada em outra língua.
Arranjei um namoradinho e abandonei minha amiga fita. Um namoro tão conturbado quanto todos os que viriam depois seriam, mas eu nem sabia disso. Meu mundo ainda era todo cor de rosa.
Meu primeiro namorado era muito musical, gostava das mesmas coisas que eu gostava em termos musicais e acabei emprestando minha música pra ele. Minha fita. Minha música.
Um dia terminamos e minha fita ficou com ele. Fiz questão de reaver tudo o que era meu, inclusive a fita.
Lembro como se fosse hoje a fúria que me acometeu a colocar a fita no rádio e ela ter apenas silêncios... um pássaro... uma risada... silêncios... e mais pássaros... e a minha psicose cega me tomando no meio daquele silêncio todo buscando qualquer coisa que pudesse incriminar o maldito primeiro ex-namorado que apagou minha música, minha fita, minha essência dos 16 anos. E na minha loucura não ouvi nada além de pássaros, uma tosse, algumas risadas, e a minha imaginação psicótica seguindo uma sequência mórbida de busca e ataque, assassinando o meu primeiro ex-namorado brutalmente em silêncio no fundo da cortina de silêncios tecida pela minha fita, e a minha música.
Eu nunca esqueci daquela tarde psicótica de primavera...

... em que o ódio gritou aos meus ouvidos pela primeira vez.



10 de fev de 2011

Students... students...

" Nós somos amigos, não?"
"Não somos mais, estás expulso do clube dos meninos!"
"Mas me deixa entrar, eu sou teu amigo!"
"Tu emprestou teu giz de cera pra uma menina, não és mais aceito!"
(conversa entre dois alunos de 5 anos durante uma atividade de pintura)

Engraçado que, passe o tempo que passar, as crianças continuam com os mesmos valores e "menino-no-clube-dos-meninos" ou "meninas fora".
Acho que uma das maiores vantagens de ser professora é poder remontar meu passado debaixo de meus olhos com meus alunos desempenhando personagens que já me são velhos conhecidos.

2 de fev de 2011

Blogada em outros blogs

     Bom, como não é de conhecimento e muita gente, faço parte do blog Projeto Meio Quilo . E andei dando umas blogadinhas singelas e, como habitual, beeem espaçadas (a mais relapsa).
     A quem interessar possa, ainda hoje bloguei esta bizarria
     Beijos e aguardem novidades no blog Seja uma Diva.

25 de jan de 2011

Minha primeira vez - too sexy for your party

     Fim de tarde é uma belezura ir pra um conjunto de apartamentos aqui perto de casa pra "balangar as perninhas" nos bancos e chimarrear. Pois foi numa dessas que vivi grandes aventuras ligando pro 190. Senta e escuta essa :
     Chegando ao tal local do chimarrão, eu e uma amiga notamos um cara deitado à beira da faixa apagado, encolhido. Okay, deve estar tirando uma sonequinha antes da próxima garrafa de cachaça.
     Achamos nosso banco na feição da sombra, fizemos o chimarrão e começamos a matraquear... fofoca dum,  veneno do outro, risada de mais um e assim por diante. Uma hora se passou, duas horas se passaram e o tempo foi indo, a noite caindo e o cara deitado, estando no nosso campo de visão, não parecia respirar.
     Eu, sempre muito impulsiva e histérica olhei pra minha companheira, a Gabi, e declarei solenemente: Ele está morto, vou ligar pro 190!!!
     Depois de uns momentos de reflexão, olhares nervosos e risadinhas escondidas nas mãos, liguei. Obviamente não afirmei que o cara estava morto porque eu não tinha como atestar um óbito estando a alguns metros de distância do cara "morto" e sem um diploma na área de medicina. E se fosse um estado cataléptico temporário?
     Exatamente 9 minutos depois da ligação chega um brigadiano de motoca pra ver o suposto defunto. O cara se levanta lindamente, conversa com o oficial e, num momento de genialidade, o brigada pede que o bêbado cante uma canção pra ele e o bêbado, bem afinado, diga-se de passagem, assovia uma canção de Roberto Carlos, se levanta da grama, espaneja a sujeira e toma rumo.
     Os mortos não são mais os mesmos.

... é gentchy...não foi a primeira vez mais legal, mas foi a MINHA primeira vez! (ligando pro 190) BAZZINGA!