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21 de dez. de 2011

Ka is a (hotwheels) wheel.

     Em meados de 2003 eu li um livro por duas vezes seguidas. 

     Foi um período difícil em que eu estava numa onda violenta de emagrecimento, com uma rotina caótica e tomando remédios para emagrecer. A insônia que eu já tinha havia ido aos extremos, fazendo com que eu dormisse às 5 da manhã e acordasse logo mais às 6h45 porque tinha que sair pra dar aulas voluntárias... final do magistério, precisava de experiência pra encarar o mundo cão. 
     Naquele tempo eu era sócia de uma biblioteca que hoje em dia não existe mais, ficava no 2º piso de uma farmácia muito conhecida aqui na cidade. O preço anual era bom para uma estudante que não tinha salário nem mesada. Vivia lá dentro. Dois livros semanais para mim, um infantil pro meu irmão mais novo, retirados religiosamente nas quintas.
     No período em que percebi que a minha insônia tomava uns ares meio psicóticos, decidi parar de jogar paciência iluminada por uma lanterna na madrugada e ler algo, já que era pra ter atividade cerebral, que fosse com algo útil. Eu não costumava ler antes de dormir porque quando eu lia, me agitava ainda mais e dormia menos ainda... mas o ponto a que eu havia chegado, não tinha o que pudesse ser pior.
     Naquela semana optei por Insônia, um livro todo detonado, imeeeeenso, do autor que eu já era fascinada. Foi a companhia perfeita pro momento que eu passava. 

     Engraçado que eu sempre tive o hábito de manter diários. Sempre, até hoje... e na época eu gostei tanto de insônia que eu decidi reler. Nas duas leituras, tomei notas alucinadas de trechos que eu havia gostado do livro. Minhas citações favoritas, por assim dizer. Engraçado que o que eu mais me lembro era a fascinação que eu tinha criado pelas três deidades, citadas no livro, que comandavam a vida - uma tecia, a outra media e a última cortava. Início, duração e fim da vida de qualquer ser humano que já passou, passava ou passaria pela terra.
     Das citações mais fodas do livro, anotei num caderno preto que eu tinha a seguinte citação:

" Simplesmente o que vocês chamam liberdade de escolha faz parte do que chamamos ka, a grande roda da existência." (Stephen King)

      Na época eu não entendia o tal KA. Nem sabia bem o que era... circulei, coloquei pontos de interrogação pra ver se anos depois eu achava uma definição que se aplicasse à tal grande roda da existência que não fazia sentido nenhum pra mim. Mas eu achava a citação fodástica. 
     Pois bem, como é conhecido, este ano tatuei o KA no meu antebraço. Lindo, cíclico, girando, comandando tudo... e foi a partir daí que o tal KA "kaotizou" a minha vida me dando twists insanos. O mais engraçado de tuuuudo que me aconteceu, são os seguintes fatos:
     ... durante as limpezas da casa achei este caderno, e no meio da seleção do que eu guardaria e do que eu colocaria no lixo, me aparece a citação acima exposta com os benditos pontos de interrogação... eu nunca teria imaginado o quanto o KA teria me ensinado de 2003 pra cá e, principalmente, o quanto ele passaria a fazer sentido e me nortear nas horas de insanidade absoluta. Ri de mim mesma pela minha ignorância juvenil e fiquei feliz por ver que o KA era menos recente e transitório do que me parecia.
     ... fato mais bizarro que o anterior foi o que me aconteceu hoje, menos de 30 minutos atrás: ontem numa limpeza da biblioteca da escola, a bibliotecária separou alguns títulos para doação, dentre eles - adivinhem a ironia do KA - Insônia, de Stephen King. Me senti como Roland ao receber o livro em mãos. Mas isso não é a ironia da coisa que eu chamo de pai do destino. A ironia mesmo aconteceu HOJE, AGORA. Quando, ao cadastrar livros novos na minha estante do Skoob, fui ver os dados do livro e achei um carimbo de biblioteca: o livro foi doado à biblioteca da escola por uma outra biblioteca. A biblioteca do segundo piso da farmácia.

     A biblioteca do segundo piso da farmácia. A biblioteca que eu era sócia. O livro que eu li duas vezes em 2003. O 2003 que tinha um caderno preto com uma citação sobre KA que me fazia um sentido apenas parcial. O sentido que eu encontrei depois de velha e tatuei. E depois de tatuada achei o caderno e relembrei 2003... ... ... KA is such a fucking little wheel...

31 de mar. de 2011

Oiiii

     Bah, blog querido... eu bem sei da minha ausência exagerada. Mas a vida tem andado numa correria só.

     Essa vida de professora tem sido bem ocupada e cansativa, mas as compensações de todo o loqueiro são enormes.

     Agora mesmo estou na biblioteca da escola, escondidinha no escuro, aproveitando o horário de almoço e o notebook que sequestrei de uma colega pra vir aqui aloprar o blog. Não tenho muito pra falar e, na realidade, estou mais é dando voltas e voltas no meu próprio pensamento.

     Preciso postar muitas coisas que andei pensando e escrevi a lápis em um bloquinho. Assim que eu tiver uma brecha eu venho aqui expressar isso.

     No mais, queria dizer que muitos dos meus planos pra 2011 estão se concretizando antes do que eu previa - bem antes pra dizer a verdade- e de forma graciosa.

     Espero que todos os que me acompanham e me perdoam por ser tão relapsa estejam tão bem, felizes e de alma tão leve quanto eu tenho estado.


     Antes de dar tchau, uma breve história de alunos pra alegrar a tarde do povo aí do outro lado da tela:

     Primeira semana de aulas foi um frisson o fato de eu ter um piercing na língua... as crianças alopraram com mil perguntas do tipo: doeu? como tu comes? nunca engoliste nenhum piercing? tem que tirar pra falar?

     Mas como toda a alopração um dia acaba, a febre passou. Numa linda tarde, troquei o piercing para ir trabalhar e me vem o diálogo fenomenal:

- Tia, piercing rosa?
- Sim, Fulaninha.
- Furou de novo?
- Não, né Fulaninha?
- Ah tá.

     Vem a coleguinha que estava atrás na fila e explica, toda prosa, porque o piercing era diferente:

- Ai, Fulaninha! Não vê que a tia pintou o piercing prata??? ... ô tia, não tem perigo da tinta sair e te matar de "envenenar"?

     Nessa hora, a cara de pastel da "tia" impera.


12 de fev. de 2011

Eu nunca esqueci daquela fita

Eu nunca esqueci daquela fita.
Era uma fita amarela, muito velha e já manchada pelo tempo. Ela tinha uma música que eu gostava muito e para mim havia sido um grande achado, aos 15 anos, encontrar aquela fita com justamente aquela música no meio de tantas fitas velhas que herdei de meus pais.
Eu ouvia aquela música incansável e repetidamente por horas a fio. Terminada a música, rebobina, ouve de novo. A prática era tanta que eu sabia o tempo exato de apertar o RR e o Play novamente. Ouvia que me acabava e cantarolava baixinho acompanhando a música que eu não sabia pronunciar inteira por ser cantada em outra língua.
Arranjei um namoradinho e abandonei minha amiga fita. Um namoro tão conturbado quanto todos os que viriam depois seriam, mas eu nem sabia disso. Meu mundo ainda era todo cor de rosa.
Meu primeiro namorado era muito musical, gostava das mesmas coisas que eu gostava em termos musicais e acabei emprestando minha música pra ele. Minha fita. Minha música.
Um dia terminamos e minha fita ficou com ele. Fiz questão de reaver tudo o que era meu, inclusive a fita.
Lembro como se fosse hoje a fúria que me acometeu a colocar a fita no rádio e ela ter apenas silêncios... um pássaro... uma risada... silêncios... e mais pássaros... e a minha psicose cega me tomando no meio daquele silêncio todo buscando qualquer coisa que pudesse incriminar o maldito primeiro ex-namorado que apagou minha música, minha fita, minha essência dos 16 anos. E na minha loucura não ouvi nada além de pássaros, uma tosse, algumas risadas, e a minha imaginação psicótica seguindo uma sequência mórbida de busca e ataque, assassinando o meu primeiro ex-namorado brutalmente em silêncio no fundo da cortina de silêncios tecida pela minha fita, e a minha música.
Eu nunca esqueci daquela tarde psicótica de primavera...

... em que o ódio gritou aos meus ouvidos pela primeira vez.



10 de fev. de 2011

Students... students...

" Nós somos amigos, não?"
"Não somos mais, estás expulso do clube dos meninos!"
"Mas me deixa entrar, eu sou teu amigo!"
"Tu emprestou teu giz de cera pra uma menina, não és mais aceito!"
(conversa entre dois alunos de 5 anos durante uma atividade de pintura)

Engraçado que, passe o tempo que passar, as crianças continuam com os mesmos valores e "menino-no-clube-dos-meninos" ou "meninas fora".
Acho que uma das maiores vantagens de ser professora é poder remontar meu passado debaixo de meus olhos com meus alunos desempenhando personagens que já me são velhos conhecidos.

25 de jan. de 2011

Minha primeira vez - too sexy for your party

     Fim de tarde é uma belezura ir pra um conjunto de apartamentos aqui perto de casa pra "balangar as perninhas" nos bancos e chimarrear. Pois foi numa dessas que vivi grandes aventuras ligando pro 190. Senta e escuta essa :
     Chegando ao tal local do chimarrão, eu e uma amiga notamos um cara deitado à beira da faixa apagado, encolhido. Okay, deve estar tirando uma sonequinha antes da próxima garrafa de cachaça.
     Achamos nosso banco na feição da sombra, fizemos o chimarrão e começamos a matraquear... fofoca dum,  veneno do outro, risada de mais um e assim por diante. Uma hora se passou, duas horas se passaram e o tempo foi indo, a noite caindo e o cara deitado, estando no nosso campo de visão, não parecia respirar.
     Eu, sempre muito impulsiva e histérica olhei pra minha companheira, a Gabi, e declarei solenemente: Ele está morto, vou ligar pro 190!!!
     Depois de uns momentos de reflexão, olhares nervosos e risadinhas escondidas nas mãos, liguei. Obviamente não afirmei que o cara estava morto porque eu não tinha como atestar um óbito estando a alguns metros de distância do cara "morto" e sem um diploma na área de medicina. E se fosse um estado cataléptico temporário?
     Exatamente 9 minutos depois da ligação chega um brigadiano de motoca pra ver o suposto defunto. O cara se levanta lindamente, conversa com o oficial e, num momento de genialidade, o brigada pede que o bêbado cante uma canção pra ele e o bêbado, bem afinado, diga-se de passagem, assovia uma canção de Roberto Carlos, se levanta da grama, espaneja a sujeira e toma rumo.
     Os mortos não são mais os mesmos.

... é gentchy...não foi a primeira vez mais legal, mas foi a MINHA primeira vez! (ligando pro 190) BAZZINGA!

2 de dez. de 2010

Enlouquecendo de vez

Geeente, eu sei que meu blog tá morrendo de teia de aranhite aguda, mas eu ando tão sem tempo que eu ando meio que rezando que a insanidade mental se estabeleça duma vez no amendoim que eu nomeio cérebro.
Tô cheia de histórias pra contar, daquelas que só eu encaro, mas por agora fico só deixando meu oi e dizendo: to ficando doooida de tanta falta de tempo.


Murphy poderia criar dias de 3546544687 horas pra eu dar conta de tudo e ainda ter tempo de ler, crochetar, fofocar, ver porn na internet  uns filmes de fundo cult e essas putarias coisas todas.


Beijos suicidas e saudades!

22 de jul. de 2010

Pérolas de pessoas legais =)

Minha mãe sofreu um avc em novembro do ano passado, isso não é novidade pra ninguém. O fato é que houveram sequelas, minha mãe tem a visão limitada, às vezes tem dificuldades de equilíbrio, mas é raro e, mais raro ainda, são as vezes que o corpo não responde a comandos cerebrais.  Convive bem com os problemas e leva uma vida normal, faz as coisas dela, só não pode querer abusar dos olhos que a cabeça dói.

Esses dias recebemos uma visita inesperada e a criatura diz assim pra mamãe:

- Eu não sei o que seria de mim sem poder ler. (Minha mãe era uma leitora compulsiva antes do avc)

***SILÊNCIO ALTAMENTE CONSTRANGEDOR***

Olhei para a ostra com a minha melhor cara de deboche e penso: uma boa sugestão seria dares o teu cu pra distrair, o olho do cu ainda funcionaria, apesar do avc ;)

Obviamente não pude falar nada disso. Que merda!

Quando as pessoas não tem o que falar de bom, elas deveriam calar a boquinha.

28 de abr. de 2010

My story about teaching (special to Naomi)

     Ok, let's say what there is to say about teaching in my life.
     I'm an English teacher (also prepared to teach Portuguese and Literature, Elementary school, too).
     But how did I come to be an English teacher?

     Since I was kid, my parents used to read to me before sleeping, every single night. I remember up to now the images in my Andersen's tales that Mom used to read. My father was a comic books fan, so he used to read a lot of Disney's, Marvel's and, best of all... Turma da Mônica, by Maurício de Souza. I fell in love with Literature since then, Andersen, Monteiro Lobato, Lewis Carrol, etc were my super heroes.
     When I was 4 my father taught me the alphabet and I started trying to read one of Mauricio de Souza HQ's and until the Sunday I could read the very first speech baloon entirely I didn't stop being so stubborn on reading. I was 5 by then, my classmates couldn't read yet, I was the teachers terror.
     As soon as I started reading well, I started teaching my dolls in my blackboard. The Alphabet, the numbers, some words (they didn't know how to read yet, I needed to go calmly, didn't I?). Since I was a kid I wanted to be a teacher, but I didn't even know by that time that there were lots of subjects to be taught! So what? I wanted it and I wanted immediately!
     As I grew, I became a compulsive reader. I can't stand a day without reading, it is a disease that I got from my parents. I read everything my hands could touch. When I was 11 I had two meetings that determined my future in my "teaching dream": Leonardo DiCaprio in Romeo plus Juliet and Stephen King in The Shinning.
     My mother took me to the cinema to have my first visual contact with Shakespeare, because I had already read him then. It was the modern version of the tragedy, and I met Leo... he was the love of my life and I was going to marry him... crazyness... childish crazyness. I discovered an adress to which I could send letters, so I decided to write to him. But how could I? I realized he was not Brazilian, probably he couldn't speak my language! It was my obligation to know his language to say him how much I loved him! And... what if he appears in my house? What would I say! Oh panic!
     In the same year my father lent me a book he read more than 10 times... he challenged me! He said that I was not brave enough to read that book because it was too scary. I accepted the challenge... It was The Shinning, by Stephen King. I had no idea what was it about... I just accepted the challenge. I remember the cover, the colors of the letters, the fear I had to read that. I started that book more than twice because it was so scary for me that I had nightmares, cryed, etc etc etc. I was only 11! When I finally finished reading The Shinning, after almost a year afraid, I felt brave, I wanted more, it was so good that I couldn't have just one. I decided to research about Stephen King because I wanted to read him in his original language... and so he was North American, he spoke English. At that time it was more than an obligation, it was a life goal.
     I don't come from a rich family, I had no money to pay an English course. So I thought: I have a brain, a dictionary and English is all around. Let's try it alone, by myself. And so did I.
     When I was 14 I started High School in a program that prepares people to be teachers in elementary. I took it seriously and started working as a volunteer in poor schools teaching when some of the teachers were absent, I was a 14-year-old so proud of myself! By that time my English was improving so much that my diary was writen in English so my brothers couldn't read it. Nowadays I laugh at myself reading the mistakes I had (my English today is much better, but it isn't perfect yet).
     In 2004 (I was 17) I finished High School and was ready to teach kids. My English was each day better, Leonardo wasn't going to visit me anymore because I didn't want to marry him... and all the material collected about him was somewhere I couldn't remember. My readings kept the same and Stephen King was a constant in my life.
      The problem about working was: No vacancy, no chance. During a looooooooong period in my life I  worked as a baby sitter, as a secretary, as a receptionist. From 2005 to 2009 I was never unemployed, but it was not what I really wanted, it made me sad, but I never gave up. It was my dream, my goal.
      In 2006 I passed the "vestibular" (an examination for university entrancy) and started my graduation in Portuguese/English. As soon as I started, I started teaching English as a volunteer in a prep course for Vestibular that was offered to lower condition people. I was teaching English for the first time and I felt as I could change the world because I could teach English. 
     The English teachers at the university used to minimize me because none of them could believe on someone who learned English by herself. In their opinions (based more in theories than in practice) I couldn't have learned English by myself, it was impossible. I proved them I did, I had the best marks in all English subjects! I was known for being a King maniac and for my disposition to teach English when the main English teacher used to discourage us because we were first-year-students and we couldn't teach yet. No diploma, no classroom. 
     In 2007 I read my first Stephen King's book in English, my favorite one: The Green Mile. I cried a lot! Because of the story? Maybe... but I cried more because I made it! I wanted to read Stephen King in another language, and I did it... it was so incredible to me! I felt like I was a queen, but also like I was responsible to know how to manage this new knowledge. I needed to share it. 
     Finally, this year is my last year at the University because I postponed my graduation in order to be promoted in my last job ( I was a receptionist in an English School). The promotion didn't happen, I was fired and didn't graduate. Buuuut... my soul grew a lot the last year. 9 months unemployed, I got depressed, felt useless and used to spend my day sleeping not to see the day passing by. I was not volunteering and had nothing to make me busy.  Day by day I started recovering, I learned to crochet the year before and used it as a therapy... made lots of amigurumis as a way to make my day happier, read more than ever, helped my family and learned how I was useful... I was just unemployed, it was not the end of my life.
     I started sending CV's everywhere they could need someone able to speak English. Nobody called me. I had trainning programs in English schools, spent a lot of my parents' money and none of them hired me. When I thought nothing was going to change, someone I met when I was a teenager called me asking me to go to her job urgently, but she didn't tell me what it was about. It was a job for me! As an English teacher! A day later I was in the classroom teaching. I arrived home feeling prettier. As if it wasn't enough, a day after my first class, I received a call from a school that is almost in front of my job (so proud to say that). I had an interview two hours later and was hired in another job!  So I was an ENGLISH teacher from kinder garden up to 8th grade plus the English course! Detail: Those are the only two places I didn't send my CV... only by God!

     So, what I can say about my teaching story is: I already have taught people who went abroad ( I never did), I already taught native English speakers how to survive in Portuguese, I already taught kids to read and write and adults how to communicate better in other languages, I already taught crochet, how to use computers and everything I learned... The key is: FOLLOW YOUR PASSIONS AND GIVE WHAT YOU HAVE WITH HAPPINESS. It makes you beautiful, it makes you happy and it makes your soul lighter and shiny. 
     My Mauricio de Sousa passion made me read. My Stephen King passion made me speak English. My will to share made me teacher. I owe a lot to these people and their works. My way to pay all I owe is giving it to someone else.  If a person doesn't take a passion seriously... there will never be a life goal.

 Crazyness? Maybe yes...



Specially to Naomi: never think I got close from you because of your father. I got close from you because of your life story, the great soul you have and the advices you are always sharing. 

26 de abr. de 2010

CUma?

Minha mãe, bem bonita que é foi ao meu trabalho me levar aqueeele remedinho pra cólicas (Não, Atroveran, não vou fazer teu marketing, tá?).
Uma das minhas colegas de trabalho foi me alcançar o tal remedinho e começa a pérola da ostrinha:

- Foi essa a tua mãe que sofreu uma isquemia cerebral?
- É, acho que sim, ainda não conheci minhas outras mães...

BAZZINGA!

2 de jan. de 2010

Mães putas, filhos infelizes

     Com 19 anos, era casada e passava dificuldades com o marido que dizia amar loucamente. Ela morena, ricos olhos pretos de jabuticaba, passado bem sujo. Ele mais velho, negro, feio e fedido.

     Apesar de toda dificuldade financeira e das brigas pela falta de higiene do marido, aceitou bem a gravidez e jamais pensou em separar-se. Afinal, ela era uma menina de 19 anos! E ele era o amor dela, tinha feito com que ela largasse as drogas e o cigarro e blablablabla/açúcar.

     Pai feliz, jamais pensou que poderia gerar uma vida por desconfiar ser estéril. Milagres são pra isso, e aquele era um tempo em que ele estava recebendo pessoas religiosas na casa dele. Casa  essa mobiliada quase que por inteira à base de doações. A cama mesmo foi um sofá cama doado pela vizinha que era muito amiga da mulher.

     Nascido o bebê. Uma criança linda. Cabelos louros enrolados como de anjo, olhos azuis como duas pedrinhas e a pele branca de leite. Pai muito feliz só sabia dizer: meu filho é lindo e é a cara do pai! As visitas, nada à vontade só sabiam concordar com o fato de a criança ser idêntica ao pai.

     Realmente, a cara do pai...

     O tempo foi passando, a menina fazia uns leites estranhos com maizena e o diabo a quatro, a pobre criança chorava pra beber aquilo que compensava a vontade que a mãe tinha de não amamentar. E o bebê cada vez mais a cara do pai ("olha, o formato do rosto é igual o meu!" dizia o pai feliz). É,o branco dos olhos era igual ao do homem que registrou.

     A mãe tentou aumentar a renda da família de todo jeito: doces, decorações, limpezas e tudo o que lhe ocorreu. Pedia ajuda pra vizinha sempre, um quilo de arroz pra família, meio pacote de açúcar pra tentar vender doce, um isopor pra festa da irmã. A vizinha era prestativa. Além dos mantimentos cuidava do bebê da pobre mãezinha pra que ela tentasse se empregar.

     Foi quando deu-se a reviravolta: visitas estranhas, caminhão de mudança e o sumiço da vizinha.

     O homem enlouqueceu... começou a ouvir músicas tristes no volume máximo e a chorar gritando.  Refez o teste de fertilidade. Estéril.

     A história vazou pela boca dele. A santa da mãezinha havia traído ele com o irmão do ex-noivo. Na cama deles. A criança era mesmo a cara do pai. Do pai biológico, o clone perfeito.

     Então foi o caos: processos judiciais, ódio eterno e desejo de vingança. Pelo menos o homem progrediu na vida depois que a mãezinha fugiu com o irmão do pai da criança pra outra cidade. Se empregou, mobiliou a casa que havia sido esvaziada pela ex e foi estudar.

     Se odiaram eternamente e cada um viveu sua vida. Coisas que nem se podem saber.

     Anos depois o homem some. Dizem que se mudou. Vai saber.

     Ele reaparece. Com a mãezinha. E a criança. Ela, muito dama, nem olha para as pessoas a quem sempre pediu ajuda. Ele, muito senhor de si faz de conta que não conhece as pessoas a quem contou coisas absurdas sobre a mulher. A criança não conhece ninguém, foi embora sendo ainda de colo.

     Hoje em dia, a criança é mais linda do que quando nasceu. Mas tem uma vidinha ingrata. Se ri a mãezinha começa a gritar como uma vaca surtada. Horário de almoço já é conhecido por toda a vizinhança porque é quando ela mais grita com a pobre criança.

     Por não ter se precavido, hoje em dia desconta toda a raiva que tem sobre a criancinha. Trabalha num local insatisfatório, é casada com o homem que um dia ela traiu e negou.... nunca foi feliz na vida e joga tudo isso sobre uma criaturinha que ainda não sabe nada sobre a vida.

     Putas não podem ser mães. Definitivamente.
    



27 de dez. de 2009

Tu já ficou com alguém?

     Estava lembrando com meus botões um 'causo' que me aconteceu quando eu tinha lá meus 9, 10 anos de idade, tempo em que eu ainda gostava de ir pra praia salgar a bunda e ter ensolações e queimaduras de mãe-d'água.

    Numa dessas indiadas farofentas, aqui pelo Cassino mesmo (numa das nossas viagens para os natais com a família), estava eu na água da praia - um diazinho até meio nublado - e eu me imaginava sendo a Ariel, a Pequena Sereia... me achava o máximo! (e era o ó do boró kkkk)

     Não é que me aparece um menino nadando ali nas proximidades do meu "fundo do mar"? Um menino moreno, de cabelos compridos e o resto eu não sei porque sou péssima fisionomista. O tal menino foi direto:

- Oi, qual o teu nome bonitinha?

Eu, ser de sutileza infinita respondi:

-Bonitinha é o rabo do cachorro! (minha mãe é contra palavrões e se ela descobrisse que falei eu acho que morria) Vai pastar seu maricas de cabelo comprido! (sim, maricas... porque eu li em algum livro)

O menino, não satisfeito me perguntou:

- Tu és daqui?

Eu, ainda bem Deborinha mesmo:

- Sou e não sou .

O menino, com aquela cara de "liga pro hospício que essa aí tem que ser medicada", muito educado:

- Como alguém pode ser e não ser de algum lugar? Eu sou de Bagé, venho pro Cassino com os meus pais no verão.

Eu, muito "expliquenta" que era, sempre perdendo a oportunidade de me calar...

- Pois é, eu nasci em Rio Grande, não no Cassino e me mudei pra São Paulo quando eu tinha 5 anos porque meu pai foi trabalhar lá, daí a minha mãe deixou a faculdade, meu pai alugou um apartamento no décimo andar na Moóca e fomos morar no apartamento do Edifício Califórnia na Avenida Paes de Barros eu, ele, meu irmãozinho que na época era um bebê-nem-tão-bebê de um ano e minha mãe e mais a minha avó que não é bem minha avó mas é minha tia que criou minha mãe e eu chamo ela de vó porque ela cuida de mim que nem vó cuidaria e daí eu moro lá o ano inteiro e volto pra Rio Grande todos os natais venho de viagem de carro o dia inteiro na estrada e eu passo mal e vomito mas eu gosto daqui porque eu nasci aqui e como é verão eu venho pro Cassino com a minha família pra passear.

O menino, cansado e quase dormindo me larga a ostra que geraria a minha primeira pérola mais surreal:

- Tu já ficou com alguém?

(cmofas///////) Muito certa da resposta, me enchi de razão!

- Mas claro que sim, eu fico todos os dias, com o meu pai, a minha mãe, meu irmão, minha tia Size e mais quem vier... ficamos sempre lá em casa, somos muito unidos!

(dããããããã)

E o guri, muito paciente:

- Mas tu sabe o que é ficar?

- Claro que eu sei, é um verbo, seu abobado! Verbo que fala sobre a gente permanecer em algum lugar, oras.

- Não, eu digo ficar, de dar beijo na boca e por aí vai...

(ãhn????)

- Ah, tu fala disso? Mas isso é namorar!

- Não, por um dia só é só ficar, namorar é mais comprido.

- Ah, então eu não fiquei, não fico e nem quero ficar com ninguém nunca na minha vida porque dar beijo na boca troca muitas bactérias e dá sapinho e herpes! E tu vai pra puta que pariu que eu não quero saber desses assuntos aqui comigo! E se tu disser pra minha mãe que te falei que é pra ir pra puta que pariu eu ainda te cago a pau e te afogo, seu cabeludo bixona!!!


É, nem sempre o Aurélio me ajudou... :s



13 de out. de 2009

Mais um de tantos sofríveis.

     Tem assuntos que chegam a apertar o coração só de pensar. Mesmo a gente sabendo que se foram, mesmo a gente sabendo que não tem que pensar nisso, mesmo sabendo que não passa de miragem. A teimosia sentimental é coisa triste... mas eu não supero algumas coisas. E, de certa forma, acho até que quero não superar, chego ao ponto em que até me orgulho disso, é o que parece me tornar mais humana, é o que me traz alegria em algumas manhãs e que traz bucolismo às minhas noites. As estrelas nunca mais foram as mesmas desde então.

     O que mais aperta o meu coração é saber ter perdido algo em algum momento que eu mesma nem sei definir. É estranho hoje em dia eu ver e rever páginas do passado que parecem todas impressas com o mesmo teor: let it go let it go... deixar que se vá, acho que foi justamente isso que eu fiz, eu cruzei os braços pra uma coisa que me era de grande valia e eu não sabia o quanto. Deixei partir sem pensar, sem duvidar de nada... na realidade deixei partir sem nem perceber que estava deixando a porta aberta pra partida.

     Ao mesmo tempo pondero e percebo que a culpa não é de todo minha, o destino por si só fez questão de virar as páginas por conta até tudo cair no esquecimento, mas o teor não muda... é let it go o tempo todo... deixar partir. A porta aberta, caso queiras... got it? O abraço que se fecha, o beijo que não mais é oferecido, o calor humano que se converte em sentimentos outrem que parecem indefiníveis por serem inacreditados.

     O pior é eu saber que tudo não passa de ilusão. Vi e vivi demais em uma esfera onde não havia nada disso pra ver nem pra viver. Não tenho culpa, o let it go na realidade era pra mim, desde ocomeço... let ME go, let ME go. Se o destino houvesse apenas me deixado partir sem ater-me a detalhes do caminho que trilhei, não haveriam essas marcas que ainda hoje me consomem, que ainda hoje não cicatrizaram e que permanecem latentes desde sempre.




11 de out. de 2009

Desejos

Quem nunca pensou em achar um poço dos desejos, um gênio da lâmpada e/ou afins?





Pois então... caso achasses um poço, ou um gênio ou afim, qual seria teu pedido?




Então o desafio é o seguinte:

Quais são as 20 coisas que não fizeste ainda e que pretendes fazer até o fim deste ano???

Simples assim! (assustador, isso sim!)

Ainda não postei a minha lista porque ainda estou queimando fusíveis pensando nisso...

Mas achei a idéia bem interessante, por inúmeros motivos, dentre eles: a gente revê objetivos traçados, não alcançados e por alcançar; é uma oportunidade para pensar nos objetivos para 2010, que já está aí e também é uma ótima ferramenta para eu conhecer mais dos anseios das pessoas com quem me dou... às vezes a gente se dá tão bem com as pessoas mas não conhece elas como pensa conhecer.

Espero os comentários com as listinhas (justificadas ou não) e....



Cuidado com seus desejos hauahauahuahauaha


Beijo da obesa! Que venha o dia das crianças!

3 de out. de 2009

How to break up with your girlfriend, in 64 easy steps (video & transcription) - Lev Yilmaz

Como terminar com sua namorada, em 64 passos simples.





     Achando que tem o namoro perfeito? Não adianta... os namoros, na maioria das vezes, sempre seguem o mesmo ciclo.
     E fazendo uso desse ciclo que se repete em tantas vidas, Lev Yilmaz com sua arte torna o ciclo fim de namoro/reinício uma historinha bonitinha e, de certa forma, engraçada.
     Com material barato e com a própria voz o cara manda ver e mostra o que todo mundo já conhece mas que nunca parou pra pensar sobre e/ou perceber como é repetitiva esta história de namoro...



Para quem ainda não afinou bem o ouvido, segue uma transcriçãozinha pra facilitar ;)



How to break up with your girlfriend in 64 easy steps.




Phase 1: the build up.




Get a girlfriend

Be together for a while

Know you're going to be together forever

Think you're going to be together forever

Assume you're going to be together forever

Start to wonder if you really are going to be together forever

Start having sex a lot less often

Wonder if you are drifting apart

Have an argument about her parents

Have an argument about your parents

Have no idea who is she's speaking to on the phone

Notice that other girls have been looking you over

Start complaining to your friends a lot

Have an argument about your job

Have an argument about your clothes

Have an argument about Valentine's day

Have an argument about a frying pan

Break up




Phase 2: the second childhood



Feeling of relief

Feeling of anticipation

Feeling of adventure

Feeling of light stomach

Start going to a lot of parties

Rediscover all the music you like

Start dating people casually

Have a one night stand with the girl you met on the bus

Start making plans for your new future

Receive a drunk dial from ex girlfriend while on the way home from a party

Meet at her place for a drink

Have sex




Phase 3: the back together




Talk about how much you've grown

Talk about how much you've missed each other

Talk about how much better things are now than before

Spend at least one major holiday looking at the stars at the roof of your apartment building

Start to miss the feeling of freedom, but that 's ok

Start to miss the feeling of adventure, but that's ok

Start to miss the music you're listening to, but that's ok

Start not having sex as often again and that's not quite so ok

Have a small argument about a movie

Have a medium argument about money

Have a large argument about whether or not it's important to go to environmentally responsible gas stations

Have an insane argument that you can never really figure out what it was about

Break up




Phase 4: The third childhood (which incidentally is just like the second childhood with a lot less enthusiasm)




Go out to parties again, but just for the hell of it

Go out to bars again, but just for the hell of it

Start getting bored of relief

Start getting bored of anticipation

Start getting bored of adventure

Start getting bored of all the music you like

Call ex girlfriend with a question that you don't really need to know the answer to, but phrase in a way that it'll suddenly indicate how much fun you're having

Decide it is time to find a new girlfriend

Notice that all the girls that happened looking you over have now stopped looking you over

Start looking at a lot of porn, get kinda depressed




Phase 5: The recovery




Start to hate being alone

Start to really hate being alone

Start to really, really, totally, absolutely hate to be alone

Then decide that it is time to learn how to be alone

Get sort of good at being alone

Get better at being alone

Assume as you are perfectly happy and content about being alone

Get a new girlfriend and repeat from beginning





Pra quem não entende inglês... as imagens falam por si ;)

29 de set. de 2009

Virgem por acaso



Li este livro esta semana e pirei... ri demais demais...

Trata-se de Stacy Temple, que trabalha para a calcinhas.com, uma empresa virtual de lingeries. Por acaso ela ouve falar que após um ano sem sexo a mulher se revirginiza, é então que ela percebe que falta apenas uma semana para que ela complete um ano sem sexo, desde seu último ex-namorado ela nunca mais teve intimidade com homem nenhum. A partir daí tudo na vida dela parece girar ao redor de sexo, crônicas que ela lê, assuntos na empresa e todo o mais.
Basicamente o livro trata da busca desenfreada de Stacy Temple por uma transa com a finalidade de não se revirginizar e todos os desastres que ela comete nessa busca. Tudo dá errado o tempo todo para ela, coitada.

O livro rende boas risadas e, para mim que defendo o celibato é muito legal, pois se tem um pouco daquela crítica preconceituosa a respeito da mulher que não faz sexo por opção versus a mulher que não faz sexo por falta de oportunidade.

Claro que é um livrinho bem ao estilo "menina-fútil", mas depois de tanto livro chato todos os dias por causa da faculdade, uma bobaginha não faz mal a ninguém e ainda causa o riso.

Clica na foto para o download do livro em pdf =)

22 de set. de 2009

18 de set. de 2009

Eu chicoteando Murphy no final de semana passado





Murphy acabou com a bateria do meu celular/câmera logo quando entrei no camarim da Reação em Cadeia.

E eu driblei ele.


17 de set. de 2009

Debby e seus headphones

Debora caminhando pelo campus, 7 da noite.

Musiquinha no mp4.

Intervalo entre uma música e outra


- DEEEEEEEBOOOOOOOOOORAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA OOOOOIIIIIII!!!!!

- oi.

(quando é que as pessoas vão entender o que é um headphone e vão parar de me assustar com gritos nos intervalos entre uma música e outra?)

Murphy.

13 de set. de 2009

Murphy...

... me puxa o tapete, mas eu chicoteio ele!!!!
Maiores detalhes em breve.

11 de set. de 2009

Que danem-se todos!




Todo limite um dia chega, e o meu vem chegando desde muito tempo. Sempre tento ser resistente no tangente a uma mudança de atitude por pensar que os outros não precisam pagar pelo que sinto. Mas chega, meu limite foi tão apunhalado por tanta gente que eu já mudei. Não estou comunicando nem solicitando, estou informando um ocorrido no passado: EU ME TORNEI O QUE TODOS ME SÃO.


Sempre fui o tipo de pessoa que sempre estava pronta pra estender a mão, o braço, os ouvidos, o ombro, o dinheiro e o que mais eu tivesse em mãos para oferecer em prol de um maior conforto a qualquer pessoa que me aparecesse. Mas nem isso vale a pena. Eu sempre me doando e os outros sempre me fodendo, essa é que é a verdade.


Uma coisa que me incomoda muito é a conveniência das pessoas. Como assim? Conveniência mesmo, aquela procura quando precisam de algo. Gente que nem me olhava na cara, quando tinha um problema que eu poderia resolver, ou tomar a frente para ajudar, vinha como se fosse amizade de infância e como se eu fosse a melhor pessoa do mundo pra resolver seu problema. Odeio isso, gente que só procura pra pedir. Pra esse grupinho, eu venho dando a solução há algum tempo: msns devidamente bloqueados. Eu existo pra coisas além de ajudar.


Outra coisa que me incomoda é a INconveniência: as pessoas sabendo que tu estás altamente envolvida na solução de um problema pessoal que parece insolúvel, e vem a criaturinha com um problema similar e quer que resolvas o dela também. Solução pra essa gente preguiçosa: só olho pra cara desse grupo, baixo minha cabeça e sigo com a MINHA solução. Virem-se idiotas! Se eu tenho capacidade, eles também tem.


Mas pior que os dois grupos anteriores, que são pessoas previsíveis por já terem perfis conhecidos, é o grupo dos falsos amigos. Desses eu tenho aos montes. E eu nunca aprendia a lidar, a resolver. Mas chega de levar na cara. Gente que quando EU preciso de um apoio me enche de grito ou faz aquela cara de “é a vida” e nem pra me aconselhar se presta ou que faz que não ouve ou, o que é ainda melhor... ouve e espalha o que ouviu não merece absolutamente nada proveniente de mim.


Vou desenhar algumas ocasiões: certa vez eu vinha passando uma situação horrível, que vinha me fazendo sofrer muitas coisas que eu nem imaginava, e procurei uma pessoa que se dizia leal a mim para ao menos poder desabafar, porque a solução cabia apenas a mim, e essa pessoa leal me mandou calar a boca porque eu falar não ia dar em nada e que ela já estava de saco cheio de gente azucrinando. Nunca mais toquei no assunto e segui sendo leal a esta pessoa super tolerante com o problema alheio. Meses depois a dita pessoa passou pela mesmíssima situação e eu, por meses a fio, ouvi os reclames dessa pessoa a respeito da ocasião, aconselhava e consolava e a pessoa não se dava conta do quão repetitiva vinha sendo. Passados 3 meses de pura audição eu tentei conversar sobre as coisas que eu vinha vivendo, coisas rotineiras, e a pessoa ignorava as minhas falas pra voltar ao único assunto desenvolvido por meses a fio. Quando o problema passou, adivinha: a pessoa esqueceu que eu existia e me ignorava.


Já fui apunhalada pelas costas por gente em quem eu confiava cegamente, já fui roubada por amigos “fiéis”, já fui escanteada por pessoas que jamais me abandonarão, já ouvi problemas até de inimigos e fui cortês e apoiadora. Já opinei pra gente que não ouve nem os próprios pensamentos. Já cuidei doentes que me amarão para sempre mas que nem me olham no rosto. Já vivi demais e desacreditei.


Não peço reconhecimento nem agradecimento, nem porra nenhuma. Eu só queria uma pessoa em quem eu pudesse contar na hora ruim, porque na hora boa até a minha bebida é mais gostosa. Eu sabia que o dia viria, mas nunca realmente pensei que um dia eu simplesmente me tornaria seca a ponto de não apoiar mais ninguém a não ser a mim mesma. Acho que o dia do meu cansaço chegou. E se eu posso ser tão boa para os meus queridos amigos, eu posso ser ótima para mim mesma. Estou partindo do coletivo para o individual, vou ser auto-suficiente. Quer dizer, eu já era isso de certa forma, né??


Sempre apoiando os outros e sempre tomando na cara pelas mãos das próprias pessoas que apoiei... agora vou focar meus esforços em mim mesma e ignorar os demais. Não quero ser como eles, eu quero ser PIOR que eles, essa gente pidona e ignorante que só pensa em si e em usar os demais.