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21 de dez. de 2011

Ka is a (hotwheels) wheel.

     Em meados de 2003 eu li um livro por duas vezes seguidas. 

     Foi um período difícil em que eu estava numa onda violenta de emagrecimento, com uma rotina caótica e tomando remédios para emagrecer. A insônia que eu já tinha havia ido aos extremos, fazendo com que eu dormisse às 5 da manhã e acordasse logo mais às 6h45 porque tinha que sair pra dar aulas voluntárias... final do magistério, precisava de experiência pra encarar o mundo cão. 
     Naquele tempo eu era sócia de uma biblioteca que hoje em dia não existe mais, ficava no 2º piso de uma farmácia muito conhecida aqui na cidade. O preço anual era bom para uma estudante que não tinha salário nem mesada. Vivia lá dentro. Dois livros semanais para mim, um infantil pro meu irmão mais novo, retirados religiosamente nas quintas.
     No período em que percebi que a minha insônia tomava uns ares meio psicóticos, decidi parar de jogar paciência iluminada por uma lanterna na madrugada e ler algo, já que era pra ter atividade cerebral, que fosse com algo útil. Eu não costumava ler antes de dormir porque quando eu lia, me agitava ainda mais e dormia menos ainda... mas o ponto a que eu havia chegado, não tinha o que pudesse ser pior.
     Naquela semana optei por Insônia, um livro todo detonado, imeeeeenso, do autor que eu já era fascinada. Foi a companhia perfeita pro momento que eu passava. 

     Engraçado que eu sempre tive o hábito de manter diários. Sempre, até hoje... e na época eu gostei tanto de insônia que eu decidi reler. Nas duas leituras, tomei notas alucinadas de trechos que eu havia gostado do livro. Minhas citações favoritas, por assim dizer. Engraçado que o que eu mais me lembro era a fascinação que eu tinha criado pelas três deidades, citadas no livro, que comandavam a vida - uma tecia, a outra media e a última cortava. Início, duração e fim da vida de qualquer ser humano que já passou, passava ou passaria pela terra.
     Das citações mais fodas do livro, anotei num caderno preto que eu tinha a seguinte citação:

" Simplesmente o que vocês chamam liberdade de escolha faz parte do que chamamos ka, a grande roda da existência." (Stephen King)

      Na época eu não entendia o tal KA. Nem sabia bem o que era... circulei, coloquei pontos de interrogação pra ver se anos depois eu achava uma definição que se aplicasse à tal grande roda da existência que não fazia sentido nenhum pra mim. Mas eu achava a citação fodástica. 
     Pois bem, como é conhecido, este ano tatuei o KA no meu antebraço. Lindo, cíclico, girando, comandando tudo... e foi a partir daí que o tal KA "kaotizou" a minha vida me dando twists insanos. O mais engraçado de tuuuudo que me aconteceu, são os seguintes fatos:
     ... durante as limpezas da casa achei este caderno, e no meio da seleção do que eu guardaria e do que eu colocaria no lixo, me aparece a citação acima exposta com os benditos pontos de interrogação... eu nunca teria imaginado o quanto o KA teria me ensinado de 2003 pra cá e, principalmente, o quanto ele passaria a fazer sentido e me nortear nas horas de insanidade absoluta. Ri de mim mesma pela minha ignorância juvenil e fiquei feliz por ver que o KA era menos recente e transitório do que me parecia.
     ... fato mais bizarro que o anterior foi o que me aconteceu hoje, menos de 30 minutos atrás: ontem numa limpeza da biblioteca da escola, a bibliotecária separou alguns títulos para doação, dentre eles - adivinhem a ironia do KA - Insônia, de Stephen King. Me senti como Roland ao receber o livro em mãos. Mas isso não é a ironia da coisa que eu chamo de pai do destino. A ironia mesmo aconteceu HOJE, AGORA. Quando, ao cadastrar livros novos na minha estante do Skoob, fui ver os dados do livro e achei um carimbo de biblioteca: o livro foi doado à biblioteca da escola por uma outra biblioteca. A biblioteca do segundo piso da farmácia.

     A biblioteca do segundo piso da farmácia. A biblioteca que eu era sócia. O livro que eu li duas vezes em 2003. O 2003 que tinha um caderno preto com uma citação sobre KA que me fazia um sentido apenas parcial. O sentido que eu encontrei depois de velha e tatuei. E depois de tatuada achei o caderno e relembrei 2003... ... ... KA is such a fucking little wheel...

31 de mar. de 2011

Oiiii

     Bah, blog querido... eu bem sei da minha ausência exagerada. Mas a vida tem andado numa correria só.

     Essa vida de professora tem sido bem ocupada e cansativa, mas as compensações de todo o loqueiro são enormes.

     Agora mesmo estou na biblioteca da escola, escondidinha no escuro, aproveitando o horário de almoço e o notebook que sequestrei de uma colega pra vir aqui aloprar o blog. Não tenho muito pra falar e, na realidade, estou mais é dando voltas e voltas no meu próprio pensamento.

     Preciso postar muitas coisas que andei pensando e escrevi a lápis em um bloquinho. Assim que eu tiver uma brecha eu venho aqui expressar isso.

     No mais, queria dizer que muitos dos meus planos pra 2011 estão se concretizando antes do que eu previa - bem antes pra dizer a verdade- e de forma graciosa.

     Espero que todos os que me acompanham e me perdoam por ser tão relapsa estejam tão bem, felizes e de alma tão leve quanto eu tenho estado.


     Antes de dar tchau, uma breve história de alunos pra alegrar a tarde do povo aí do outro lado da tela:

     Primeira semana de aulas foi um frisson o fato de eu ter um piercing na língua... as crianças alopraram com mil perguntas do tipo: doeu? como tu comes? nunca engoliste nenhum piercing? tem que tirar pra falar?

     Mas como toda a alopração um dia acaba, a febre passou. Numa linda tarde, troquei o piercing para ir trabalhar e me vem o diálogo fenomenal:

- Tia, piercing rosa?
- Sim, Fulaninha.
- Furou de novo?
- Não, né Fulaninha?
- Ah tá.

     Vem a coleguinha que estava atrás na fila e explica, toda prosa, porque o piercing era diferente:

- Ai, Fulaninha! Não vê que a tia pintou o piercing prata??? ... ô tia, não tem perigo da tinta sair e te matar de "envenenar"?

     Nessa hora, a cara de pastel da "tia" impera.


2 de dez. de 2010

Enlouquecendo de vez

Geeente, eu sei que meu blog tá morrendo de teia de aranhite aguda, mas eu ando tão sem tempo que eu ando meio que rezando que a insanidade mental se estabeleça duma vez no amendoim que eu nomeio cérebro.
Tô cheia de histórias pra contar, daquelas que só eu encaro, mas por agora fico só deixando meu oi e dizendo: to ficando doooida de tanta falta de tempo.


Murphy poderia criar dias de 3546544687 horas pra eu dar conta de tudo e ainda ter tempo de ler, crochetar, fofocar, ver porn na internet  uns filmes de fundo cult e essas putarias coisas todas.


Beijos suicidas e saudades!

27 de dez. de 2009

Tu já ficou com alguém?

     Estava lembrando com meus botões um 'causo' que me aconteceu quando eu tinha lá meus 9, 10 anos de idade, tempo em que eu ainda gostava de ir pra praia salgar a bunda e ter ensolações e queimaduras de mãe-d'água.

    Numa dessas indiadas farofentas, aqui pelo Cassino mesmo (numa das nossas viagens para os natais com a família), estava eu na água da praia - um diazinho até meio nublado - e eu me imaginava sendo a Ariel, a Pequena Sereia... me achava o máximo! (e era o ó do boró kkkk)

     Não é que me aparece um menino nadando ali nas proximidades do meu "fundo do mar"? Um menino moreno, de cabelos compridos e o resto eu não sei porque sou péssima fisionomista. O tal menino foi direto:

- Oi, qual o teu nome bonitinha?

Eu, ser de sutileza infinita respondi:

-Bonitinha é o rabo do cachorro! (minha mãe é contra palavrões e se ela descobrisse que falei eu acho que morria) Vai pastar seu maricas de cabelo comprido! (sim, maricas... porque eu li em algum livro)

O menino, não satisfeito me perguntou:

- Tu és daqui?

Eu, ainda bem Deborinha mesmo:

- Sou e não sou .

O menino, com aquela cara de "liga pro hospício que essa aí tem que ser medicada", muito educado:

- Como alguém pode ser e não ser de algum lugar? Eu sou de Bagé, venho pro Cassino com os meus pais no verão.

Eu, muito "expliquenta" que era, sempre perdendo a oportunidade de me calar...

- Pois é, eu nasci em Rio Grande, não no Cassino e me mudei pra São Paulo quando eu tinha 5 anos porque meu pai foi trabalhar lá, daí a minha mãe deixou a faculdade, meu pai alugou um apartamento no décimo andar na Moóca e fomos morar no apartamento do Edifício Califórnia na Avenida Paes de Barros eu, ele, meu irmãozinho que na época era um bebê-nem-tão-bebê de um ano e minha mãe e mais a minha avó que não é bem minha avó mas é minha tia que criou minha mãe e eu chamo ela de vó porque ela cuida de mim que nem vó cuidaria e daí eu moro lá o ano inteiro e volto pra Rio Grande todos os natais venho de viagem de carro o dia inteiro na estrada e eu passo mal e vomito mas eu gosto daqui porque eu nasci aqui e como é verão eu venho pro Cassino com a minha família pra passear.

O menino, cansado e quase dormindo me larga a ostra que geraria a minha primeira pérola mais surreal:

- Tu já ficou com alguém?

(cmofas///////) Muito certa da resposta, me enchi de razão!

- Mas claro que sim, eu fico todos os dias, com o meu pai, a minha mãe, meu irmão, minha tia Size e mais quem vier... ficamos sempre lá em casa, somos muito unidos!

(dããããããã)

E o guri, muito paciente:

- Mas tu sabe o que é ficar?

- Claro que eu sei, é um verbo, seu abobado! Verbo que fala sobre a gente permanecer em algum lugar, oras.

- Não, eu digo ficar, de dar beijo na boca e por aí vai...

(ãhn????)

- Ah, tu fala disso? Mas isso é namorar!

- Não, por um dia só é só ficar, namorar é mais comprido.

- Ah, então eu não fiquei, não fico e nem quero ficar com ninguém nunca na minha vida porque dar beijo na boca troca muitas bactérias e dá sapinho e herpes! E tu vai pra puta que pariu que eu não quero saber desses assuntos aqui comigo! E se tu disser pra minha mãe que te falei que é pra ir pra puta que pariu eu ainda te cago a pau e te afogo, seu cabeludo bixona!!!


É, nem sempre o Aurélio me ajudou... :s