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21 de dez. de 2011

Ka is a (hotwheels) wheel.

     Em meados de 2003 eu li um livro por duas vezes seguidas. 

     Foi um período difícil em que eu estava numa onda violenta de emagrecimento, com uma rotina caótica e tomando remédios para emagrecer. A insônia que eu já tinha havia ido aos extremos, fazendo com que eu dormisse às 5 da manhã e acordasse logo mais às 6h45 porque tinha que sair pra dar aulas voluntárias... final do magistério, precisava de experiência pra encarar o mundo cão. 
     Naquele tempo eu era sócia de uma biblioteca que hoje em dia não existe mais, ficava no 2º piso de uma farmácia muito conhecida aqui na cidade. O preço anual era bom para uma estudante que não tinha salário nem mesada. Vivia lá dentro. Dois livros semanais para mim, um infantil pro meu irmão mais novo, retirados religiosamente nas quintas.
     No período em que percebi que a minha insônia tomava uns ares meio psicóticos, decidi parar de jogar paciência iluminada por uma lanterna na madrugada e ler algo, já que era pra ter atividade cerebral, que fosse com algo útil. Eu não costumava ler antes de dormir porque quando eu lia, me agitava ainda mais e dormia menos ainda... mas o ponto a que eu havia chegado, não tinha o que pudesse ser pior.
     Naquela semana optei por Insônia, um livro todo detonado, imeeeeenso, do autor que eu já era fascinada. Foi a companhia perfeita pro momento que eu passava. 

     Engraçado que eu sempre tive o hábito de manter diários. Sempre, até hoje... e na época eu gostei tanto de insônia que eu decidi reler. Nas duas leituras, tomei notas alucinadas de trechos que eu havia gostado do livro. Minhas citações favoritas, por assim dizer. Engraçado que o que eu mais me lembro era a fascinação que eu tinha criado pelas três deidades, citadas no livro, que comandavam a vida - uma tecia, a outra media e a última cortava. Início, duração e fim da vida de qualquer ser humano que já passou, passava ou passaria pela terra.
     Das citações mais fodas do livro, anotei num caderno preto que eu tinha a seguinte citação:

" Simplesmente o que vocês chamam liberdade de escolha faz parte do que chamamos ka, a grande roda da existência." (Stephen King)

      Na época eu não entendia o tal KA. Nem sabia bem o que era... circulei, coloquei pontos de interrogação pra ver se anos depois eu achava uma definição que se aplicasse à tal grande roda da existência que não fazia sentido nenhum pra mim. Mas eu achava a citação fodástica. 
     Pois bem, como é conhecido, este ano tatuei o KA no meu antebraço. Lindo, cíclico, girando, comandando tudo... e foi a partir daí que o tal KA "kaotizou" a minha vida me dando twists insanos. O mais engraçado de tuuuudo que me aconteceu, são os seguintes fatos:
     ... durante as limpezas da casa achei este caderno, e no meio da seleção do que eu guardaria e do que eu colocaria no lixo, me aparece a citação acima exposta com os benditos pontos de interrogação... eu nunca teria imaginado o quanto o KA teria me ensinado de 2003 pra cá e, principalmente, o quanto ele passaria a fazer sentido e me nortear nas horas de insanidade absoluta. Ri de mim mesma pela minha ignorância juvenil e fiquei feliz por ver que o KA era menos recente e transitório do que me parecia.
     ... fato mais bizarro que o anterior foi o que me aconteceu hoje, menos de 30 minutos atrás: ontem numa limpeza da biblioteca da escola, a bibliotecária separou alguns títulos para doação, dentre eles - adivinhem a ironia do KA - Insônia, de Stephen King. Me senti como Roland ao receber o livro em mãos. Mas isso não é a ironia da coisa que eu chamo de pai do destino. A ironia mesmo aconteceu HOJE, AGORA. Quando, ao cadastrar livros novos na minha estante do Skoob, fui ver os dados do livro e achei um carimbo de biblioteca: o livro foi doado à biblioteca da escola por uma outra biblioteca. A biblioteca do segundo piso da farmácia.

     A biblioteca do segundo piso da farmácia. A biblioteca que eu era sócia. O livro que eu li duas vezes em 2003. O 2003 que tinha um caderno preto com uma citação sobre KA que me fazia um sentido apenas parcial. O sentido que eu encontrei depois de velha e tatuei. E depois de tatuada achei o caderno e relembrei 2003... ... ... KA is such a fucking little wheel...

2 de out. de 2011

de quando eu, de fato, descobri o amor

... para ser lido ao som de Someone Like You (não precisa ler se não quiser, é só uma utilizada de blog como divã)



Esses dias tive um surto psicótico. Daqueles de quase morrer... de chorar de soluçar como uma guria histérica que teve a primeira desilusão amorosa. E foi, tarde mas foi.
Estava em casa, na minha rotina de sempre quando, ouvindo um cdzinho, me apareceu Someone Like You com um solo que chama o ouvido a prestar atenção. Sentei pra sentir melhor a melodia e ver o que a gordinha tinha pra dizer. Foi o que bastou pra me destruir. Eu andava nostálgica desde o dia anterior... achava que pudessem ser efeitos de uma TPM fora de hora, ou saudade do meu Morfeu que está passando uns dias no SPA da vovó, ou stress, ou fome, ou qualquer coisa. Mas Adele conseguiu desencadear uma reação que me abriu o peito. E eu duelei comigo mesma pra botar pra fora o que me perturbava.
Assumi, entre muitas negativas e contra minha própria vontade, o que me incomodava e passou a incomodar ainda mais: assumi uma perda que eu nunca pensei que tivesse sido tão grande na minha vida, assumi um amor perdido que eu nunca assumi nem pra mim.
Nessas minhas histórias de ser fria, ser durona, de o amor não existir, vi o amor passar debaixo do meu nariz e desprezei, ignorei completamente. E nesse dia dilemático que doeu até que eu cansasse e fosse dormir, eu assumi ele, revivi tudo mentalmente e sofri o que estava engasgado desde que eu perdi a perda que eu não sabia que havia acontecido pra mim.
Não foi uma história de amor digna de filmes, mas eu a descobri minha, e me orgulho de ter tido forças pra assumir, mesmo que tarde tudo o que eu senti. Melhor que isso: exorcizei, limpei o coração e percebi erros de trajeto que nunca tinham me ocorrido antes.
Posso dizer que não é o tipo de história com final heroico, nem de happy ending. Mas eu consegui expor o que me aconteceu durante todo o período que me estremeci de paixão em uma carta quilométrica que enviei logo que coloquei o ponto final. Pedi que não me fosse enviada resposta. Não quero repensar essa história, ela terminou no momento que eu consegui tirar aqui de dentro meu hóspede.
Vou transcrever alguns trechos da carta, vale a pena ser lida novamente (por mim mesma). Se leu até aqui, não espere nomes. Quem conhece a história, conhece. Quem não conhece, não precisa saber de quem se trata.



"(...)Vou evitar as formalidades clássicas... nunca fui formal e nem vou ser agora. Sabes como sou, não preciso de apresentações.
Hoje, por um acaso do destino, baixei uma música que te tirou de onde eu te mantinha trancado dentro de mim. Se quiser parar de ler, agora é a hora. Antes de eu soltar tudo que eu nunca soltei de fato... aquilo que eu mantive velado até agora que tomei coragem pra abrir meu peito.

A música diz o seguinte:
'I heard that you're settled down

That you found a girl and you're married now
I heard that your dreams came true

Guess she gave you things, I didn't give to you


Old friend
Why are you so shy?

It ain't like you to hold back
Or hide from the light



I hate to turn up out of the blue uninvited
But I couldn't stay away, I couldn't fight it

I hoped you'd see my face and that you'd be reminded
That for me, it isn't over



Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you, too

Don't forget me, I beg, I remember you said
Sometimes it lasts in love

But sometimes it hurts instead
Sometimes it lasts in love

But sometimes it hurts instead


You'd know how the time flies
Only yesterday was the time of our lives

We were born and raised in a summer haze
Bound by the surprise of our glory days



I hate to turn up out of the blue uninvited
But I couldn't stay away, I couldn't fight it

I hoped you'd see my face and that you'd be reminded
That for me, it isn't over yet



Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you, too

Don't forget me, I beg, I remember you said
Sometimes it lasts in love

But sometimes it hurts instead


Nothing compares, no worries or cares
Regrets and mistakes they're memories made

Who would have known how bitter-sweet this would taste


Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you, too

Don't forget me, I beg, I remembered you said
Sometimes it lasts in love

But sometimes it hurts instead
Sometimes it lasts in love

But sometimes it hurts instead'



Eu imagino que a essas horas já estejas com tudo mais do que entendido, mas eu preciso falar... e como falar não dá de ser olho no olho, eu decidi escrever.
A verdade que eu nunca assumi foi o quanto tu mexeu comigo desde o começo... de uma forma que nunca ninguém mexeu e, apesar do senso comum que isso soa, eu realmente te amei e nunca consegui te tirar da minha cabeça. Nem depois de tanto tempo.

Não pensa que isso foi depois de esse ou aquele ocorrido. Não. Não tem nada disso. Foi antes disso que tu já tinhas te entranhado na minha cabeça, foi no começo,(...)... as tuas trollagens, tuas risadas. O conjunto da obra me ganhou. Eu, que sempre tinha sido tão fria e durona me vi amolecendo pouco a pouco por uma criatura (...) que eu nem sei daonde surgiu, contando uma piada idiota de “bom diaê” e que marcou. O DVD de asneiras com o Bátema e uma foto do primeiro churras no menu principal, as piadas idiotas em horas indevidas(...)bolão de lovely... bah, e as cantorias? Nunca mais ouvi My Immortal e Refrão de Bolero.
Foi só besteira juvenil... mas mesmo hoje não esqueço da tua voz, da tua risada mais histérica, e nem do teu cheiro que eu pouco tive a oportunidade de sentir. Teu lábio marcado... ahahaha. Nem sei o que comi ontem, mas lembro cada detalhe teu.

Acontece que o destino mandou e foi como tinha que ser desde o início. Não estou te pedindo nada, nem quero que me respondas, só quero me abrir e ver se me livro desse peso que eu carrego desde que cruzei contigo a primeira vez na FURG. Tu, as tuas bermudas de mil bolsos e o teu caminhar mancado por causa do long(...).
Toda aquela pose de machona que eu levava, tudo mentira... quer dizer... mentira a partir do momento que eu percebi o quanto me movias. Eu tinha medo de te assustar, de fazer com que te afastasses de mim se eu um dia tentasse falar algo. E eu até cheguei perto de te falar aquela vez no lago (...) lembra? Mas nunca consegui. Não era por falta de coragem... era por achar que eu precisava te ter próximo, nem que fosse só como amigo.

E aí veio o tempo em que (...) a distância pegou pra mim. Perdi a conta das noites que passei em claro escrevendo escrevendo escrevendo sem fim e aos prantos pensando uma maneira de conseguir tocar adiante as coisas. Não que eu fosse morrer, mas ficou mais difícil. Mas apesar disso, tu te mostraste leal a mim, não sumindo. E não sabes o bem que tu me fazias quando ias no departamento pra jogar conversa fora... e eu, sempre desajeitada, acabava correndo contigo (...). Eram uns poucos minutos, mas tu iluminavas meu dia com aquilo. E as idas ao Rosa nas sextas... era tudo o que mantinha meu pé no chão.
Foi quando veio teu namoro, e eu nunca vou esquecer o dia que (...) te vi com ela, no fim de um beijo. Naquela noite eu bebi tanto, tanto, mas tanto... que era anormal pro meu padrão de bebedeira. Escrevi tanto, risquei, rimei, rasguei. Queria esquecer, queria afogar o que eu tinha visto, queria sumir, louca e bêbada pela rua. Só piorou. E foi aí que a minha coragem de tentar te dizer qualquer coisa se esvaiu de vez. Esgotou, acabou completamente. Zero XP.

A partir daí eu me enlouqueci... bebendo, saindo, dando em cima de geral porque eu tinha que me vingar, eu tinha que fazer doer em ti como doeu em mim. Mas eu sabia que o poço era seco, que não ia sair dor de lado nenhum. Estavas feliz e eu não podia estragar isso com acessos infantis de perdedora. Meu jeito foi o afastamento. Foi quando eu achei [alguém] e achei que gostava dele e achei que era feliz ao lado dele. Foi a pior coisa que eu podia ter inventado. Mas eu toquei em frente, esperando te substituir. O que eu não sabia era que eu não ia conseguir.
E o relacionamento andou,(...) e eu me separei (...) do canalha. E eu sofri mais ainda, e eu chorei mais ainda... e bebi mais ainda, não dormia, não comia e já quase não tinha mais vida. E não foi por ele toda essa apoteose de fiasco, foi por me deparar mais uma vez com a verdade de não poder te ter, e por me sentir (como agora) impotente perante a situação. Me feri, me incomodei na busca de um escape. E não deu.

Em 2009 eu tive uma apresentação na qual eu falei sobre “Friendship”... e eu fiz um vídeo com o nosso grupo clássico de caos (...). O grand finale foi a última vez que cantei My Immortal. Um colega tomou tua posição ao violão e eu cantei. Foi a pior vez que cantei. A voz não saía e eu só queria chorar. A tua ausência foi a minha fraqueza e insegurança... não só a tua ausência ali do meu lado, mas fora da minha vida.
Os anos se passaram, o nosso contato apesar de menos freqüente nunca foi cortado e veio a tua formatura. Tu, lindo, togado e discursando... me enchi de orgulho como se fosse algo meu. E chorei escondida no meio do público por saber que era ali que acabava de vez todo e qualquer contato. Estavas indo (...). Era game over pra mim, mais do que já havia sido desde 2006.

E mais tempo se passou... não teve ano que eu não lembrasse do teu aniversário, mesmo não falando nada. Não teve noite que eu não tenha deitado a cabeça no travesseiro sem direcionar ao menos um pensamento, uma energia pra ti. Não teve poema que eu tenha escrito que não tenha um pedaço teu. E, apesar de toda essa dor que eu carrego escondida, muito me conforta saber que tens tido uma vida feliz (...).
Não vou te alugar mais com tantas lágrimas que já proferi por aqui. A carta toda está permeada de “chorei” , “bebi” e “sofri”. Não quero que penses que o que senti por ti só me trouxe dor. Pelo contrário... era o que me estimulava a cada dia que eu pensava na possibilidade de te ver, ouvir tua voz, ver teu sorriso escancarado, nem que fosse só de passada e ouvir o que tinhas pra dizer, mesmo quando eu ficava nervosa que nem guria nova e virava café por cima de mim mesma na tua frente.

Gosto de relembrar tudo o que passei do teu lado, mesmo sabendo que eu vivi um platonismo que eu mesma criei. E gosto de saber que eu não sou tão fria para sentimentos como eu sempre pensei que fosse. Fico feliz em ter tomado forças pra admitir pra mim mesma e, conseqüentemente, pra ti o que sinto. Acho que agora eu te exorcizo de vez.
Estou descobrindo que ter te mantido trancado num quartinho num canto do meu cérebro não foi solução, tu sempre deu um jeito de escapar de lá e me assombrar, me lembrando que fracassei... o segredo era ter te desprendido de mim desde o início. Parece assunto de esquizofrênico, mas só eu sei como foi conviver com as lembranças de ti. Mas esquece... esquece isso tudo que falei aqui, esquece... eu só precisava mesmo desabafar, me abrir... pra dizer que eu nunca te esqueci, que tu nunca saiu da minha cabeça... nem do coração. Por mais difícil que tenha sido pra mim, agora eu vejo que abrir o jogo é menos trabalhoso do que lidar comigo mesma nas noites em que sonho contigo e acordo feliz como uma boba alegre. E não te preocupa, eu não vou “babar muito pelo Sawyer” (lembra dessa dedicatória no DVD?)... eu já babei demais foi por ti. E acho que estou cansada de tanto carregar esse incômodo em mim... não que tu sejas um incômodo, nunca foste. Mas as lembranças e a frustração se tornaram incômodos constantes. Há muito tempo.

Já me estendi demais e nem sei se chegaste até aqui, mas fica tranqüilo. Eu vou bem por fora. Me formei, Saí de casa, fiz meu piercing, me tatuei... estou levando a vida que sempre quis. Sou professora de inglês, ganho bem, crio gatos, sou administradora do stephenking.com.br e até na Polônia eu já andei dando entrevista sobre Stephen King. Estou vivendo das minhas paixões. Só faltou uma... e dessa eu estou tratando de esquecer.
Te agradeço, (...)... por seres quem és, por teres sido quem foste comigo em todas as ocasiões, porque mesmo quando foste mais troll nos deboches, ainda assim foste de uma gentileza bárbara comigo.

Quem sabe um dia a gente se reencontra. Um beijo, dessa vez, o último. Te amo.



Debora."

18 de mai. de 2011

A casa de bonecas

Quando eu era criança, minha graça era montar tooooda a casa de bonecas nos mínimos detalhes... a Barbie sentadinha na salinha esperando o Ken voltar do trabalho.

... quando o Ken chegava, passava o tufão: a minha graça era fazer o Ken destruir toda a organização da casa ao maior estilo troll, com chutes e bundadas na mobília, para sofrimento da pobre Barbie.

Mas... agora com o microhome, organizo tudo minuciosamente e faço toda a força do mundo pra não bagunçar tudo jogando roupas no chão, toalha molhada na cama e louça suja na pia.

É... as coisas mudam, véi!

25 de jan. de 2011

Minha primeira vez - too sexy for your party

     Fim de tarde é uma belezura ir pra um conjunto de apartamentos aqui perto de casa pra "balangar as perninhas" nos bancos e chimarrear. Pois foi numa dessas que vivi grandes aventuras ligando pro 190. Senta e escuta essa :
     Chegando ao tal local do chimarrão, eu e uma amiga notamos um cara deitado à beira da faixa apagado, encolhido. Okay, deve estar tirando uma sonequinha antes da próxima garrafa de cachaça.
     Achamos nosso banco na feição da sombra, fizemos o chimarrão e começamos a matraquear... fofoca dum,  veneno do outro, risada de mais um e assim por diante. Uma hora se passou, duas horas se passaram e o tempo foi indo, a noite caindo e o cara deitado, estando no nosso campo de visão, não parecia respirar.
     Eu, sempre muito impulsiva e histérica olhei pra minha companheira, a Gabi, e declarei solenemente: Ele está morto, vou ligar pro 190!!!
     Depois de uns momentos de reflexão, olhares nervosos e risadinhas escondidas nas mãos, liguei. Obviamente não afirmei que o cara estava morto porque eu não tinha como atestar um óbito estando a alguns metros de distância do cara "morto" e sem um diploma na área de medicina. E se fosse um estado cataléptico temporário?
     Exatamente 9 minutos depois da ligação chega um brigadiano de motoca pra ver o suposto defunto. O cara se levanta lindamente, conversa com o oficial e, num momento de genialidade, o brigada pede que o bêbado cante uma canção pra ele e o bêbado, bem afinado, diga-se de passagem, assovia uma canção de Roberto Carlos, se levanta da grama, espaneja a sujeira e toma rumo.
     Os mortos não são mais os mesmos.

... é gentchy...não foi a primeira vez mais legal, mas foi a MINHA primeira vez! (ligando pro 190) BAZZINGA!

3 de dez. de 2010

Carta aos meus alunos

Pê... ssuaaaaaal!!! *aos berros*


Hoje a chamada gritada por aqui é um agradecimento.
Se 2010 foi um ano caótico pra mim, com muitas dificuldades, correrias, noites em claro e tudo de bizarro a que eu tive direito, vocês foram o lado bom disso.
Claro que não podemos esquecer as milhares de incomodações, as chamadas de atenção, os xixis e as centenas de bilhetes ( O aluno está apresentando comportamento inadequado blablabla matou o colega com uma folha de papel. Favor conversar com o aluno sobre atitudes. Teacher Debora. Ciente:______) mas isso foi parte do crescimento - de vocês e meu - considerando que eu não acho que ser professor seja apenas para ensinar a matéria, acho que além disso eu deixei algo pra vocês (do tipo: não seja um demo na escola ou você será professor de inglês e corintiano como eu).
Agradeço a cada um de vocês que dividiu o 2010 comigo. Foi um prazer quase sexual imenso ter conhecido cada um de vocês, as histórias, o riso, a caligrafia. Esse envolvimento foi essencial pro MEU aprendizado. Podem ter certeza que aprendi com cada um de vocês mais do que vocês aprenderam comigo, repetindo intermitentemente I-you-he-she-it ou... O que eu uso para marcar negação? No? Not?
Agradeço aos que me ajudaram com meus estágios. Foram essenciais numa etapa importante da minha vida.
Agradeço aos que se tornaram meus amigos íntimos, em vários momentos as conversas foram cruciais para me aliviar o peso da alma, a força de vocês me revigora.
Aos meus alunos do projeto, espero um dia encontrar vocês autografando seus livros. Me encho de orgulho cada vez que releio os trabalhos produzidos por vocês, vocês são geniais!


Pros pestes: é, parece que vocês não me enlouqueceram, apesar da insistência em tentar me pirar. Apesar de toda a incomodação que vocês tentaram me dar, sorry... eu sou mais teimosa e insistente que vocês ;)  Tentem com outro professor, talvez vocês consigam fazer a pessoa se desesperar.

Pros calminhos: ... é, acho que não são muitos. Obrigada por manterem a calma e não tentarem matar seus colegas mais alucinados.


A todos: hoje estou cansada, detonada, festa e festa de encerramento... trezentos amigos secretos, comilanças, risadas, funk, pagode e choradeira. Ainda tenho mais um evento hoje e só o que me passou pela cabeça o dia inteiro hoje foi: por que tão rápido? Certamente se eu ainda fosse aluna pensaria: ê!!!! Acabou essa merda!!! Mas como professora vejo que eu inverto o pensamento. Sei que foram noites em claro corrigindo coisas, preparando coisas e pensando o que poderiam pensar de mim os meus pupilos... mas agora que o ano letivo acabou tudo o que penso é: por que tão rápido?
Dizem que quando as coisas são boas, o tempo passa rápido. Talvez por isso eu não tenha sentido o ano voar entre meus livros, papéis, correções e agendas. 2010 pra mim foi ruim, péssimo, mas os meus alunos me renovaram a cada encontro e me mostraram o lado bom do ano: eles.

Meus alunos Coca Cola: amo vocês! Não sejam malas, tá?
Torço sempre pelo sucesso de vocês, independente do rumo que tomaremos.

Beijos da dramática chorona

Debby.

2 de dez. de 2010

Enlouquecendo de vez

Geeente, eu sei que meu blog tá morrendo de teia de aranhite aguda, mas eu ando tão sem tempo que eu ando meio que rezando que a insanidade mental se estabeleça duma vez no amendoim que eu nomeio cérebro.
Tô cheia de histórias pra contar, daquelas que só eu encaro, mas por agora fico só deixando meu oi e dizendo: to ficando doooida de tanta falta de tempo.


Murphy poderia criar dias de 3546544687 horas pra eu dar conta de tudo e ainda ter tempo de ler, crochetar, fofocar, ver porn na internet  uns filmes de fundo cult e essas putarias coisas todas.


Beijos suicidas e saudades!

22 de jul. de 2010

Pérolas de pessoas legais =)

Minha mãe sofreu um avc em novembro do ano passado, isso não é novidade pra ninguém. O fato é que houveram sequelas, minha mãe tem a visão limitada, às vezes tem dificuldades de equilíbrio, mas é raro e, mais raro ainda, são as vezes que o corpo não responde a comandos cerebrais.  Convive bem com os problemas e leva uma vida normal, faz as coisas dela, só não pode querer abusar dos olhos que a cabeça dói.

Esses dias recebemos uma visita inesperada e a criatura diz assim pra mamãe:

- Eu não sei o que seria de mim sem poder ler. (Minha mãe era uma leitora compulsiva antes do avc)

***SILÊNCIO ALTAMENTE CONSTRANGEDOR***

Olhei para a ostra com a minha melhor cara de deboche e penso: uma boa sugestão seria dares o teu cu pra distrair, o olho do cu ainda funcionaria, apesar do avc ;)

Obviamente não pude falar nada disso. Que merda!

Quando as pessoas não tem o que falar de bom, elas deveriam calar a boquinha.

28 de abr. de 2010

My story about teaching (special to Naomi)

     Ok, let's say what there is to say about teaching in my life.
     I'm an English teacher (also prepared to teach Portuguese and Literature, Elementary school, too).
     But how did I come to be an English teacher?

     Since I was kid, my parents used to read to me before sleeping, every single night. I remember up to now the images in my Andersen's tales that Mom used to read. My father was a comic books fan, so he used to read a lot of Disney's, Marvel's and, best of all... Turma da Mônica, by Maurício de Souza. I fell in love with Literature since then, Andersen, Monteiro Lobato, Lewis Carrol, etc were my super heroes.
     When I was 4 my father taught me the alphabet and I started trying to read one of Mauricio de Souza HQ's and until the Sunday I could read the very first speech baloon entirely I didn't stop being so stubborn on reading. I was 5 by then, my classmates couldn't read yet, I was the teachers terror.
     As soon as I started reading well, I started teaching my dolls in my blackboard. The Alphabet, the numbers, some words (they didn't know how to read yet, I needed to go calmly, didn't I?). Since I was a kid I wanted to be a teacher, but I didn't even know by that time that there were lots of subjects to be taught! So what? I wanted it and I wanted immediately!
     As I grew, I became a compulsive reader. I can't stand a day without reading, it is a disease that I got from my parents. I read everything my hands could touch. When I was 11 I had two meetings that determined my future in my "teaching dream": Leonardo DiCaprio in Romeo plus Juliet and Stephen King in The Shinning.
     My mother took me to the cinema to have my first visual contact with Shakespeare, because I had already read him then. It was the modern version of the tragedy, and I met Leo... he was the love of my life and I was going to marry him... crazyness... childish crazyness. I discovered an adress to which I could send letters, so I decided to write to him. But how could I? I realized he was not Brazilian, probably he couldn't speak my language! It was my obligation to know his language to say him how much I loved him! And... what if he appears in my house? What would I say! Oh panic!
     In the same year my father lent me a book he read more than 10 times... he challenged me! He said that I was not brave enough to read that book because it was too scary. I accepted the challenge... It was The Shinning, by Stephen King. I had no idea what was it about... I just accepted the challenge. I remember the cover, the colors of the letters, the fear I had to read that. I started that book more than twice because it was so scary for me that I had nightmares, cryed, etc etc etc. I was only 11! When I finally finished reading The Shinning, after almost a year afraid, I felt brave, I wanted more, it was so good that I couldn't have just one. I decided to research about Stephen King because I wanted to read him in his original language... and so he was North American, he spoke English. At that time it was more than an obligation, it was a life goal.
     I don't come from a rich family, I had no money to pay an English course. So I thought: I have a brain, a dictionary and English is all around. Let's try it alone, by myself. And so did I.
     When I was 14 I started High School in a program that prepares people to be teachers in elementary. I took it seriously and started working as a volunteer in poor schools teaching when some of the teachers were absent, I was a 14-year-old so proud of myself! By that time my English was improving so much that my diary was writen in English so my brothers couldn't read it. Nowadays I laugh at myself reading the mistakes I had (my English today is much better, but it isn't perfect yet).
     In 2004 (I was 17) I finished High School and was ready to teach kids. My English was each day better, Leonardo wasn't going to visit me anymore because I didn't want to marry him... and all the material collected about him was somewhere I couldn't remember. My readings kept the same and Stephen King was a constant in my life.
      The problem about working was: No vacancy, no chance. During a looooooooong period in my life I  worked as a baby sitter, as a secretary, as a receptionist. From 2005 to 2009 I was never unemployed, but it was not what I really wanted, it made me sad, but I never gave up. It was my dream, my goal.
      In 2006 I passed the "vestibular" (an examination for university entrancy) and started my graduation in Portuguese/English. As soon as I started, I started teaching English as a volunteer in a prep course for Vestibular that was offered to lower condition people. I was teaching English for the first time and I felt as I could change the world because I could teach English. 
     The English teachers at the university used to minimize me because none of them could believe on someone who learned English by herself. In their opinions (based more in theories than in practice) I couldn't have learned English by myself, it was impossible. I proved them I did, I had the best marks in all English subjects! I was known for being a King maniac and for my disposition to teach English when the main English teacher used to discourage us because we were first-year-students and we couldn't teach yet. No diploma, no classroom. 
     In 2007 I read my first Stephen King's book in English, my favorite one: The Green Mile. I cried a lot! Because of the story? Maybe... but I cried more because I made it! I wanted to read Stephen King in another language, and I did it... it was so incredible to me! I felt like I was a queen, but also like I was responsible to know how to manage this new knowledge. I needed to share it. 
     Finally, this year is my last year at the University because I postponed my graduation in order to be promoted in my last job ( I was a receptionist in an English School). The promotion didn't happen, I was fired and didn't graduate. Buuuut... my soul grew a lot the last year. 9 months unemployed, I got depressed, felt useless and used to spend my day sleeping not to see the day passing by. I was not volunteering and had nothing to make me busy.  Day by day I started recovering, I learned to crochet the year before and used it as a therapy... made lots of amigurumis as a way to make my day happier, read more than ever, helped my family and learned how I was useful... I was just unemployed, it was not the end of my life.
     I started sending CV's everywhere they could need someone able to speak English. Nobody called me. I had trainning programs in English schools, spent a lot of my parents' money and none of them hired me. When I thought nothing was going to change, someone I met when I was a teenager called me asking me to go to her job urgently, but she didn't tell me what it was about. It was a job for me! As an English teacher! A day later I was in the classroom teaching. I arrived home feeling prettier. As if it wasn't enough, a day after my first class, I received a call from a school that is almost in front of my job (so proud to say that). I had an interview two hours later and was hired in another job!  So I was an ENGLISH teacher from kinder garden up to 8th grade plus the English course! Detail: Those are the only two places I didn't send my CV... only by God!

     So, what I can say about my teaching story is: I already have taught people who went abroad ( I never did), I already taught native English speakers how to survive in Portuguese, I already taught kids to read and write and adults how to communicate better in other languages, I already taught crochet, how to use computers and everything I learned... The key is: FOLLOW YOUR PASSIONS AND GIVE WHAT YOU HAVE WITH HAPPINESS. It makes you beautiful, it makes you happy and it makes your soul lighter and shiny. 
     My Mauricio de Sousa passion made me read. My Stephen King passion made me speak English. My will to share made me teacher. I owe a lot to these people and their works. My way to pay all I owe is giving it to someone else.  If a person doesn't take a passion seriously... there will never be a life goal.

 Crazyness? Maybe yes...



Specially to Naomi: never think I got close from you because of your father. I got close from you because of your life story, the great soul you have and the advices you are always sharing.