28 de mai de 2009

Oh Debby...

É irônica a forma que as músicas ativam a minha memória, como um gatilho. Estava jogando paciência ouvindo músicas no meu mp4 quando me deu um dos meus estalinhos de memória. Oh Debby... só queria te amar ...
Como sempre, minha cabeça funciona em forma de turbilhão organizado numa seqüência cronológica decrescente: primeiro as memórias mais recentes e depois a mente vai se afastando e chegando às memórias mais antigas. Acabei ancorando no último verão da minha adolescência.
Engraçado como as lembranças mais antigas são sempre as mais vívidas. Mal me lembro o que almocei mas tenho capacidade de lembrar perfeitamente de coisas que já aconteceram a um bom tempinho. Acho que isso explica o fato de muitas vítimas do Alzheimer terem parado no melhor tempo de suas vidas. Não que o fim da minha adolescência conste como o melhor tempo da minha vida, mas que foi consideravelmente bom e inesquecível... ah isso foi.
Pro Natal de 2003, uma operadora de telefonia celular lançou uma promoção na qual quem adquirisse um aparelho poderia falar todas as noites de graça para celulares de mesma operadora das 10 da noite às 6 da manhã. Bom, né?? Para uma adolescente cheia de assunto isso era bem mais que bom.
Naquele ano mesmo eu conheci uma menina que é cega, a Lu... nunca vi pessoa mais louca do que aquela figura, ela consegue ser pior que eu. E no auge das nossas loucuras, uma promoção de falar de graça era um fuzuê que deusquitilivreeguardeprasempre. Pobres das mães e dos celulares. Pobres das mães porque naquelas férias de verão não teve noite em que eu e a Lu não dormíssemos sob o mesmo teto (fosse o dela, fosse o meu), o que fazia as mães loucas! Preparar macarrão com lingüiça às 4 da manhã era nossa especialidade. Ah, e colecionar almofadas para serem usadas como abafadores de risada também. Lu que não me deixe mentir. E os celulares eu nem preciso dizer que eram usados conectados à luz, né?
Agora quem me lê se pergunta: o que tem a ver o cu com as calças? (neste caso a música com a promoção e a Lu e o fim da adolescência) Pois respondo: a promoção se deu no último verão da minha adolescência (oficialmente, claro que eu não sou adulta ainda... e quem disser que eu sou toma umas biabas), que foi quando eu conheci a Lu pela minha mãe e com a Lu aproveitei a tal da promoção. Mero detalhe: nem o meu celular nem o da Lu faziam parte da bendita da promoção. Pela Lu eu conheci um moço que ela conheceu pelo telefone mesmo (parece aquelas histórinhas de minha mãe disse que a minha tia ouviu da vizinha dela que soube pela prima do cachorro do avô do tio dela que...). Pois bem, o moço que nós duas não conhecíamos e que nem nos conhecia, mas com quem falávamos direto com a tal da promoção das 10 da noite até as 6 da manhã cantarolava pra mim essa musiquinha do TNT.
Tanta explicação pra uma lembrança que vem à minha cabeça rápida como um tiro. Saudade daquele verão, saudade da Lu, saudade da promoção do telefone e da desocupação daquele tempo, saudade da musiquinha que o moço do telefone cantarolava, saudade dos “xixis” das mães que nos reclamavam as risadas, as jantas fora de hora e o não dormir, saudade de dormir de dia e de sussurrar entre risos abafados na madrugada. Aquele verão renderia um livro se eu quisesse... tal qual muitos outros verões e outras tantas músicas. Nessas horas é que se percebe que saudade é bom, sinal que se teve história nessa passadinha tão ligeira pela terra.

6 de mai de 2009

Esses encontros...

Tem coisas na vida da gente que fazem rir de graça e te dão o poder indestrutível de ter a capacidade de não deixar que nada que ocorra no resto do teu dia estrague o que foi tão bom ( por mais simples que isso tenha sido).
Não nos atenhamos a datas nem nada desse tipo... para quê faremos usos de convenções tão vazias se podemos falar de acontecimentos que podem valer mais do que número-barra-número-barra-número, não é mesmo? Não que eu esteja desmerecendo as datas (estou), mas nesse caso não é data a ser guardada e comemorada, então não me importo.
Num desses dias (clima de mistério para que eu não seja óbvia), tive uma prova horrenda na universidade, daquelas que no momento de saída da sala onde a prova ocorreu tu pensas: Qual é o meu nome mesmo? Esvaziei o cérebro ali... o habitual latejar da mão que escreveu demais, a cabeça tonta e o corpo bobeando por ter passado quase três horas sentado, encurvado e com o pé batendo no chão sem parar (como se isso ajudasse muito no raciocínio).
Saída de lá, parada habitual numa sacada do prédio onde estudo, conversa com os colegas que fizeram a mesma prova... todos com as mesmas caras de zumbi. Se a gripe A chegou e se ela teria a capacidade de criar zumbis com a mutação de vírus H1Z1 (ao dono da teoria, os meus parabéns, eu ri...hahaha), os zumbis éramos nós na sacada do prédio.
Ok, rumo ao CC e sedentos por café, os zumbis tem táticas revolucionárias:”- eu corro pra uma mesa e tu pega os cafés. Run!!!” (explicação: muitos alunos de várzea no CC e pouca capacidade física para comportar todos os jogadores de UNO, truco e vídeo game; matadores de aula; interneteiros, namoradores, beberrões e todos os tipos que permeiam o Centro de Convivência)
Todo mundo sentado bonitinho e...

O que eu quero contar é da visão que tive ... visão e companhia. Cansada, com dor de cabeça, na espera que o café esfriasse um pouco para que eu pudesse tomar e blablabla, vi a criatura aquela que só eu sei o que me causa - na real eu nem sei o que me causa, essa é a verdade e talvez a razão de eu estar colocando pra fora tanta informação boba de menina adolescente que escreve em diário – vi e a criatura veio imediatamente em minha direção, pra debochar como habitual. Não vem ao caso que brincadeiras da minha parte, e nem a recíproca.
Me fez cometer sandices, como habitual (2), me fez rir, riu e quase que eu morro. Eu, no auge dos meus vinte e alguns anos, pareço uma adolescente boba do lado dessa criaturinha, que coisa de louco ¬¬. A quem interessar possa: perdi a linha de raciocínio mais de três vezes, tendo que retomar o pensamento do início, ruborizada (óbviooooo); gaguejei incontáveis vezes, a coisa mais ridícula que eu poderia fazer, me julgo fluente o suficiente em português a ponto de não gaguejar e nem em público eu gaguejo... ruborizada... gaguejar é uó. A pessoa sentada ao meu lado, se aproximava de mim e eu me esquivava, estava a bem dizer quase montada no braço da minha cadeira. Por quê eu faço isso meudeusinhodocéuzinho???? Eu nunca faço isso com outras pessoas que me dou tão bem quanto com a pessoa essa, com gente que conheço a menos tempo eu tenho mais desenvoltura do que... ah, deixa pra lá.
Depois da despedida o ridículo foi maior... sabes drogado quando está numa “nice”? Debby neste momento. Doidona, loucaça. Que se dane compromisso, que me dane eu e que se dane todo mundo (aloka). Só de ver fico feliz. Fico bobinha, fico pré-adolescente de novo... nunca vi alguém colocar abaixo todas as minhas muralhas desta forma. Sempre fui bem desenvolta, mas perco as estribeiras, fico tímida, gaga, insegura, autista, burra e essa merda toda que me dá. Poxa, se eu pudesse mostrar quem eu sou... mas eu não consigo. Aparentemente nem ele. Falta o assunto no meio. Eu nem olho pra ele, acho que se olho me dá um infarto-agudo-fulminante-fatal... hahahaha pode rir que eu estou ridícula mesmo e hoje é de graça, nem me importo. Ele me olha e eu derreto, não posso olhar. Sempre tem o deboche sobre o meu cabelo, sobre as minhas coisas, sobre tudo. Sinceramente? (agora vou me achar, não leia) Sinal que ele repara nin miiimmm ^^ aiii (suspiro profundo).
Como eu estou retardada nesses dias. Podes fazer cocôzinho na minha cabeça que eu olho pra tua cara [de pau] com cara de riso e nem dou bola (alokaaaaa). Não tem o que me estrague tão cedo, isso é bom. Perto mais fraca, longe mais forte. Ai que ódio. Momento do mantra (erga seus sovacos ao céu e reze comigo):
houuumeeeeiiinnnnsssss naaauuuuuummmm preeeeeeesssssstaaaaaaaaammmmmmm
houuumeeeeiiinnnnsssss naaauuuuuummmm preeeeeeesssssstaaaaaaaaammmmmmm
houuumeeeeiiinnnnsssss naaauuuuuummmm preeeeeeesssssstaaaaaaaaammmmmmm
houuumeeeeiiinnnnsssss naaauuuuuummmm preeeeeeesssssstaaaaaaaaammmmmmm.
Nem isso me adianta mais. Que merda.
Engraçado que essa história não é nova e não adiantou de nada a tentativa de ponto final. Quer dizer.. nada existe entre nós a não ser amizade e isso é o que se vê. Mas o clima está lá. Só eu sei o que isso significa, quem é de fora acha que estou louca. (segunda tentativa de explicação) É como se tivesse algo pendente... eu sinto como se tivesse um fiozinho invisível que nos prendesse. Não sei dele, mas de mim é isso. Não vou expôr comentários de amigos meus e de amigos dele porque eu não quero deixar mais explícito do que já estou deixando o que sinto. Tenho medo do que eu possa sentir, dado o fato de eu sempre crer que não existe amor e dado o fato de eu nunca haver sentido nada do além de hormônios em ebulição. Nunca estive nesse descontrole. Já há quem me diga que isso é paixão, mas isso é coisa de boiola. O fato é que nunca tive uma amizade assim, tão extremada. É um bichinho, um alienzinho. Essa é a minha teoria.
Tenho resistência à distância, e quando estou longe o bichinho está quietinho, não dói, não faz cócegas e nem se mexe. O bichinho parece sentir-se seguro. Já na proximidade, só no bater de olhos, o bichinho acorda e fica elétrico... minhas mãos tremem, os olhos viram ventiladores, tenho que segurar alguma coisa (geralmente é o copo de café se eu não jogo ele por cima de mim antes...é, já paguei esse mico... pior de tudo foi ele não haver me ridicularizado ou debochado de mim pelo mico pago... me deixou mais desarmada ainda) e peloamordedeusinhodocéuzinho... preciso de amigos do meu lado nesse momento (tão último e tão primeiro), mas o descontrole é tanto que eu esqueço dos amigos... Larissa e Leandro que o digam... ambos comigo (Lari no msn, Leandro do meu lado) e eu esqueci completamente dos dois...
Ainda estou com o bichinho a mil [pelo Brasil] aqui dentro. Acho que é vermes. Não tenho nem saudades. Existe em mim uma segurança estranha... mas bem queria eu que o tempo fosse que nem os nossos velhos VHSs que a gente dava um éfe-éfe (sim, eu sei que Fast Forward tem em DVD também) e adiantava a história. Eu tenho medo e curiosidade com relação ao futuro. Quero ver logo o que pode acontecer no que condiz a essa parte da minha história (que, sinceramente, eu acho a mais bonita).
É pena eu saber que existem despedidas mais concretas com datas previstas... não posso torcer pelo adiamento dessa despedida iminente, ou torcerei pelo fracasso dele. O destino sempre mandou em tudo. Não é por agora que a vida vai fazer diferente. Pelo menos é isso que espero. Enquanto espero, aproveito aqueles olhos que tanto me descontrolam , opa... descontrolam o bichinho.

Livro de boiola: só mais 24 horas.